Quanto dinheiro as bets podem tirar de rádios, TVs, internet e futebol?
segundo a Revista Meio e Mensagem, O levantamento da Tunad aponta R$ 1,44 bilhão para TV aberta, TV paga e rádio juntos em 2025. A TV aberta ficou com aproximadamente 85% desse montante.

Isso significa aproximadamente:
R$ 1,22 bilhão para TV aberta, deixando cerca de R$ 220 milhões para TV paga + rádio.
Portanto, não há, nesse levantamento, um número público confiável que permita dizer exatamente quanto dos R$ 220 milhões foi para rádio. O estudo informa que o rádio teve participação relevante no primeiro semestre, mas perdeu espaço no segundo.
todavia, segue estudo para reflexão sobre a medida Provisória.
A análise inicial do cenário
A decisão do governo federal de proibir a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa abriu uma enorme discussão no mercado brasileiro. Mais do que o fim das casas de apostas, a Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, atinge uma cadeia que movimentava bilhões de reais em publicidade, patrocínios e comunicação.
A medida proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A MP tem força de lei imediatamente, mas ainda depende da análise do Congresso Nacional para se tornar permanente.
E a pergunta que fica para o mercado de comunicação e para o futebol é: quanto dinheiro pode deixar de circular?
Mais de R$ 3 bilhões em publicidade
Um levantamento citado pelo UOL aponta que as 15 maiores empresas de apostas investiram mais de R$ 3 bilhões em publicidade no Brasil em 2025.
Esse dinheiro foi distribuído por diferentes plataformas, incluindo televisão, rádio, internet, mídia esportiva e outros formatos de comunicação. O número dá uma dimensão do tamanho que as bets alcançaram no mercado publicitário brasileiro.
É importante observar que os R$ 3 bilhões não representam necessariamente uma perda definitiva para os veículos. Parte desse espaço publicitário poderá ser ocupada por bancos, varejistas, empresas de tecnologia, bebidas, serviços e outros segmentos.
O problema para o mercado é a velocidade da substituição.
TV, rádio e streaming receberam mais de R$ 1,4 bilhão
Um estudo da Tunad mostrou que as empresas de apostas investiram mais de R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming durante 2025.
O levantamento monitorou mais de 150 canais e emissoras nas principais praças brasileiras.
A televisão aberta concentrou a maior parte desses investimentos.
Isso significa que a proibição não atinge apenas as casas de apostas. Ela também afeta emissoras, programas, eventos esportivos, agências de publicidade, produtoras e profissionais que participavam dessa cadeia comercial.
Para o rádio, o impacto merece atenção especial porque o setor trabalha com uma grande quantidade de contratos comerciais de diferentes tamanhos. Uma rádio pode não ter uma bet como patrocinadora principal, mas pode ter recebido recursos por meio de comerciais, ações promocionais, transmissões esportivas e projetos especiais.
E quanto a internet pode perder?
O mercado digital também se tornou um dos principais destinos das apostas.
As bets passaram a investir em publicidade em sites, redes sociais, plataformas de vídeo, influenciadores, portais esportivos e transmissões pela internet.
Por isso, os números de TV, rádio e streaming não devem ser confundidos com o total destinado ao ambiente digital. As metodologias utilizadas pelos levantamentos são diferentes.
O ponto comum é que o setor digital também terá de substituir uma importante fonte de publicidade.
Para sites de notícias e portais esportivos, a consequência pode ser especialmente relevante, já que as bets utilizavam o futebol como principal ambiente de comunicação com o público.

Futebol perde mais de R$ 1 bilhão
Se existe um setor diretamente exposto à retirada do dinheiro das bets, é o futebol.
Em 2025, os clubes da Série A receberam aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios de empresas de apostas.
O valor correspondia a cerca de 33% de toda a receita comercial dos 20 clubes da primeira divisão, que somou R$ 3,069 bilhões naquele ano.
Em outras palavras: aproximadamente um em cada três reais das receitas comerciais dos clubes da Série A vinha das bets.
Isso ajuda a explicar a reação dos clubes depois da edição da MP.
Flamengo, Corinthians e Palmeiras estão entre os mais expostos
Os contratos de patrocínio máster mostram como o dinheiro das apostas se espalhou pelos grandes clubes.
Segundo levantamento divulgado pelo UOL, 14 dos 20 clubes da Série A possuíam patrocínio máster de empresas de apostas, em contratos que somavam aproximadamente R$ 910 milhões.
Entre os maiores valores estavam:
- Flamengo: R$ 220 milhões anuais;
- Corinthians: R$ 150 milhões;
- Palmeiras: R$ 100 milhões fixos, podendo chegar a R$ 170 milhões com bônus;
- São Paulo: contrato com valor elevado e cláusulas específicas;
- Fluminense e Botafogo: também estavam entre os clubes com contratos relevantes;
- Vasco: também possuía patrocínio de empresa do setor.
Os valores podem variar conforme bônus, metas esportivas e condições contratuais.
Além disso, o impacto não fica restrito ao espaço principal da camisa.
O prejuízo pode ir além do patrocínio da camisa
A retirada das bets pode afetar outros contratos comerciais ligados aos clubes.
Há ainda placas publicitárias, propriedades comerciais, ações de marketing, ativações com torcedores, eventos e produtos já produzidos com as marcas das empresas.
Um levantamento publicado pelo UOL apontou, por exemplo, que alguns clubes mantêm estoques de uniformes produzidos com marcas de casas de apostas. Também existem contratos de exploração de placas publicitárias cuja receita depende fortemente do setor.
Portanto, o impacto financeiro pode ser maior do que simplesmente retirar o logotipo de uma camisa.
O caso do futebol carioca
No Rio de Janeiro, o debate ganha uma dimensão ainda maior.
Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco estão entre os clubes diretamente expostos à mudança no mercado de patrocínios.
O Flamengo, por exemplo, aparece entre os clubes com maior valor de patrocínio de bet. Fluminense, Botafogo e Vasco também possuem contratos com empresas do segmento.
Para os quatro grandes clubes do Rio, portanto, o desafio passa a ser encontrar novas fontes de receita capazes de ocupar rapidamente espaços que foram preenchidos pelas bets nos últimos anos.
Quanto dinheiro está realmente em jogo?
Os principais números ajudam a dimensionar o tamanho da mudança:
R$ 3 bilhões — investimento publicitário das 15 maiores bets em 2025.
Mais de R$ 1,4 bilhão — investimentos das bets em TV aberta, TV paga, rádio e streaming em 2025.
R$ 1,03 bilhão — patrocínios das bets aos clubes da Série A em 2025.
R$ 910 milhões — valor aproximado dos contratos de patrocínio máster de bets com 14 clubes da Série A.
Mas esses números não devem ser somados.
Eles utilizam metodologias diferentes e possuem áreas de sobreposição. O objetivo é mostrar a dimensão financeira do mercado das apostas dentro da comunicação e do esporte.
A grande questão: quem vai ocupar esse espaço?
O fim das bets não significa necessariamente que todo esse dinheiro desaparecerá do mercado.
A publicidade continuará existindo. O que muda é quem ocupará os espaços deixados pelas empresas de apostas.
Bancos, fintechs, varejistas, empresas de tecnologia, supermercados, plataformas digitais e outros segmentos podem disputar essas propriedades.
O problema é que não há garantia de que um novo anunciante aceitará pagar exatamente o mesmo valor que uma bet pagava.
É justamente aí que está o impacto econômico mais difícil de medir.
Um espaço publicitário de R$ 1 milhão pode continuar existindo, mas eventualmente ser vendido por R$ 600 mil, R$ 700 mil ou R$ 800 mil.
Por isso, o mercado terá de acompanhar não apenas quanto dinheiro será perdido, mas também quanto será efetivamente substituído por novos anunciantes.
A MP ainda precisa passar pelo Congresso
A Medida Provisória nº 1.394 foi publicada em 25 de setembro de 2026 e tem força de lei desde sua edição. Entretanto, uma MP precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para continuar produzindo efeitos de forma permanente.
Enquanto o Congresso discute a medida, clubes, empresas de comunicação, agências e anunciantes precisam avaliar contratos existentes e buscar alternativas.
O que está em jogo, portanto, não é apenas o futuro das bets.
É também a redistribuição de bilhões de reais que circulavam pela publicidade, pelo esporte e pelos meios de comunicação brasileiros.
Os números em perspectiva
| Mercado | Valor relacionado às bets |
|---|---|
| Publicidade das 15 maiores bets | + de R$ 3 bilhões |
| TV aberta + TV paga + rádio + streaming | + de R$ 1,4 bilhão |
| Patrocínios na Série A | R$ 1,03 bilhão |
| Patrocínios máster de 14 clubes | R$ 910 milhões |
Importante: os valores acima não representam uma soma de perdas. São diferentes indicadores que mostram o tamanho da presença das bets na economia da comunicação e do futebol.
O mercado agora entra em uma nova fase
A discussão deixou de ser apenas sobre apostas esportivas.
Agora, rádios, TVs, sites, plataformas digitais, clubes e empresas de marketing precisam responder a uma pergunta econômica: quem terá condições de ocupar o espaço financeiro deixado pelas bets?
A resposta poderá mudar significativamente o mercado brasileiro de publicidade e patrocínio nos próximos meses.
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