Pinah, a Cinderela Negra da Beija-Flor, será homenageada com a Medalha Pedro Ernesto
Baluarte da Beija-Flor e ícone do Carnaval carioca, Pinah Ayoub receberá a maior honraria da Câmara Municipal do Rio por sua trajetória de representatividade e contribuição à cultura, incluindo o histórico encontro com o Príncipe Charles na Sapucaí.
Pinah: a mulher que transformou um desfile em eternidade no Carnaval carioca
O Carnaval do Rio produziu reis, rainhas, lendas e personagens que atravessaram gerações. Mas poucos nomes conseguem representar tão bem a força, o brilho e a resistência da cultura popular quanto Pinah Ayoub.
Muito antes das redes sociais transformarem qualquer momento em fenômeno viral, Pinah já havia conquistado a eternidade com um simples samba no pé.
Sua história se mistura diretamente com a evolução do Carnaval moderno. Em 1976, foi convidada pelo lendário carnavalesco Joãosinho Trinta para desfilar como destaque de chão da Beija-Flor de Nilópolis. Era o início de uma trajetória que ajudaria a redefinir o protagonismo feminino dentro da avenida.
O dia em que o Carnaval encantou a realeza
Dois anos depois, em 1978, veio a cena que entraria para a história da cultura brasileira.
Durante um desfile da Beija-Flor, Pinah sambou ao lado do então príncipe Charles III, na época conhecido mundialmente como príncipe Charles. O encontro virou símbolo da grandiosidade do Carnaval carioca e atravessou fronteiras. Não era apenas uma fotografia curiosa entre a realeza britânica e uma passista brasileira. Era o reconhecimento internacional de uma manifestação cultural negra, popular e periférica que conquistava o mundo pela arte.
A imagem ficou tão marcada no imaginário brasileiro que, anos depois, a própria Beija-Flor eternizou Pinah no enredo “A Grande Constelação das Estrelas Negras”, de 1983. Ali, ela foi celebrada como a “Cinderela Negra” que encantou o príncipe.
Muito além da avenida
Mas reduzir Pinah apenas àquele momento histórico seria injusto.
Sua importância vai além da estética do desfile. Ela representa uma geração de mulheres negras que ajudaram a construir o Carnaval como patrimônio cultural do Brasil — muitas vezes sem receber o devido reconhecimento institucional.
Enquanto o público via brilho, fantasia e espetáculo, mulheres como Pinah sustentavam tradições, inspiravam comunidades e abriam espaço para novas gerações ocuparem posições de destaque no samba.
Hoje, integrante da diretoria da Beija-Flor, Pinah segue sendo referência de elegância, memória e resistência cultural.
Um reconhecimento que ultrapassa o Carnaval
A homenagem com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria da Câmara Municipal do Rio, simboliza algo maior do que uma celebração individual. É também um reconhecimento da importância histórica do samba e das mulheres negras na formação da identidade carioca.
Em uma cidade onde o Carnaval movimenta cultura, turismo, economia e pertencimento social, figuras como Pinah ajudam a lembrar que a festa não nasce apenas dos carros alegóricos ou dos holofotes da Sapucaí. Ela nasce das pessoas que dedicaram a vida inteira à arte popular.
E poucas fizeram isso com tanto carisma quanto ela.

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