O Que é Queen, Quem Ainda Está Vivo e as Maiores Curiosidades da Banda
SAIBA a verdadeira história do Queen: da reinvenção de Farrokh Bulsara ao preconceito que os baniu dos EUA, veja os bastidores reais que o filme de 2018 omitiu.
O Legado Majestoso na 98 FM
Para os ouvintes da 98 FM Rio, o Queen não é meramente uma banda de rock; é uma arquitetura sonora de pompa e circunstância que moldou o conceito de espetáculo em arenas. Décadas após sua gênese, o grupo mantém um fascínio magnético, transcendendo gerações com uma vitalidade que poucos contemporâneos alcançaram.
O que começou como uma promessa audaciosa nos clubes londrinos desabrochou em um fenômeno global, ostentando vendas astronômicas entre 250 e 300 milhões de discos. Como crítico, vejo o Queen não apenas como hitmakers, mas como operários de uma “audácia operística” que fundiu o erudito ao visceral. Para decifrar esse império, no entanto, é preciso despir a lenda e reencontrar o homem por trás da voz que desafiou os limites do possível.

Farrokh Bulsara e o Nascimento de Freddie Mercury
A fundação do Queen é, em essência, o ato de reinvenção de um homem. Antes de ser o monarca dos palcos, ele era Farrokh Bulsara, um jovem de ascendência parsi nascido em Zanzibar e educado em artes gráficas. A transição para a persona de Freddie Mercury não foi um mero capricho, mas um movimento estratégico de branding pessoal que ocorreu simultaneamente à nomeação da banda em 1970. O sobrenome “Mercury” veio das profundezas de sua própria mitologia lírica, inspirado no verso “Mother Mercury, look what they’ve done to me” da canção “My Fairy King”.
A Vida e o Legado de Freddie MercuryFoi Freddie quem impôs o nome “Queen”. Enquanto os outros membros hesitavam diante das conotações provocativas do termo, Freddie — com sua habitual convicção de “estilo acima de tudo” — declarou que o nome era “maravilhoso, querido” e que o público aprenderia a amá-lo pela sua força e esplendor. Essa visão imperial, contudo, só ganharia corpo com a chegada de arquitetos musicais de igual calibre.
A Fundação do Império: Virtuosismo e o Dogma “Anti-Sintetizador”
O Queen não foi fruto do acaso, mas de uma convergência acadêmica e técnica raríssima no rock. O embrião veio da banda Smile, onde o guitarrista e astrofísico Brian May — que construiu sua própria guitarra, a Red Special, com madeira de uma lareira — uniu-se ao estudante de odontologia Roger Taylor. Taylor não era um baterista comum; ele foi o escolhido após May colocar um anúncio em busca de um percussionista do tipo “Mitch Mitchell ou Ginger Baker”, exigindo um nível de virtuosismo jazzístico.

A entrada definitiva de Freddie, após a saída de Tim Staffell, trouxe a peça que faltava. Mas a formação clássica só se completaria em fevereiro de 1971 com o recrutamento de John Deacon. Deacon, um gênio da eletrônica, foi o quarto baixista a passar pelo grupo, sobrevivendo ao perfeccionismo implacável da banda após as tentativas falhas com Mike Grose, Barry Mitchell e Doug Bogie. Nos primeiros anos, o grupo ostentava com orgulho o selo “No Synthesisers!” em seus encartes. Era uma declaração de guerra: queriam provar que sua “parede de som” monumental era fruto exclusivo de guitarras e camadas vocais, e não de truques eletrônicos.
O Hino de uma Geração: A Odissea de Bohemian Rhapsody
Se existe uma música que define a “audácia meticulosa” do Queen, é “Bohemian Rhapsody” (1975). Desafiando executivos que a consideravam longa demais para as rádios, a faixa tornou-se o pilar da indústria moderna. Foram 180 overdubs vocais, um processo tão exaustivo que a fita original de gravação chegou a desgastar e ficar translúcida.
O impacto foi sísmico:
- Domínio das Paradas: 9 semanas no topo do Reino Unido e o único single a ser “Número 1 de Natal” duas vezes.
- A Revolução Visual: O videoclipe promocional, que recriava a icônica capa de Queen II inspirada em Marlene Dietrich, inventou o formato do clipe moderno sete anos antes da MTV existir.
Como historiador, destaco a espontaneidade técnica da banda; mesmo sucessos como “Under Pressure” nasceram de encontros fortuitos na Suíça com David Bowie, provando que, por trás do rigor, havia uma química explosiva.

O Crepúsculo de um Ídolo: A Batalha Privada de Mercury
Os picos de estádio dos anos 80, infelizmente, foram sombreados por um drama pessoal mantido sob sete chaves. Freddie Mercury foi diagnosticado com AIDS em 1987, mas escolheu a música como seu último refúgio. Durante as gravações de The Miracle e Innuendo, Freddie, mesmo debilitado, instigava May a compor mais: “Escreva para mim, eu vou cantar e vocês terminam depois”.
O mundo só soube da verdade em 23 de novembro de 1991, quando Freddie quebrou o silêncio através de uma nota oficial. Apenas 24 horas depois, em 24 de novembro, o ídolo falecia de broncopneumonia decorrente de complicações da AIDS. A morte de Freddie congelou o tempo, transformando a história da banda em um mito eterno que, décadas depois, seria redescoberto pelo cinema.
Cinema vs. Realidade: O Renascimento e o Veredito
O filme Bohemian Rhapsody (2018) foi um triunfo comercial, arrecadando mais de 900 milhões de dólares e dando o Oscar a Rami Malek. Contudo, como crítico sênior, é meu dever pontuar as lacunas. O filme romantiza a trajetória e ignora o “período sombrio” da banda nos EUA durante os anos 80. A queda de braço com o mercado americano foi alimentada por uma homofobia velada, especialmente após o vídeo de “I Want to Break Free” e a adoção do visual “gay clone” (bigode e couro) por Freddie, que alienou o público conservador da época.
A redenção americana só viria postumamente em 1992, graças ao efeito “Wayne’s World”, quando uma cena de comédia no cinema colocou “Bohemian Rhapsody” de volta ao topo das paradas americanas. Mas o ponto alto imortalizado nas telas é o Live Aid de 1985. Ali, diante de 72.000 pessoas no estádio e milhões na TV, Freddie disparou o “Note Heard Round the World” — seu famoso “Aaaaaay-o” — provando que o Queen era, sem dúvida, a maior banda de palco da história.
O Queen Hoje: A Coroa em Movimento
Com a aposentadoria de John Deacon da vida pública em 1997 — ele sentiu que “não havia sentido em continuar sem Freddie” — Brian May e Roger Taylor assumiram a responsabilidade de manter a coroa ativa. O Queen não parou; eles se reinventaram através do selo “Queen +”.
Antes da atual e bem-sucedida era com Adam Lambert, iniciada em 2011, a banda explorou o rock clássico com Paul Rodgers (ex-Free/Bad Company) entre 2004 e 2009. Embora Lambert não tente substituir Freddie — algo que May e Taylor consideram impossível — ele traz a teatralidade e o alcance vocal necessários para que os hinos do Queen continuem a vibrar em estádios lotados, mantendo o legado como uma entidade viva e não apenas uma peça de museu.

Vida Longa à Rainha
ROCK FESTIVALA jornada do Queen é a prova de que a música feita com excelência técnica e coragem artística não tem data de validade. Desde a indução ao Rock and Roll Hall of Fame até a presença constante na programação da 98 FM Rio, a banda permanece como o padrão ouro do rock de arena. Eles nos ensinaram que é possível ser sofisticado e popular, complexo e contagiante, tudo ao mesmo tempo.
Para você, ouvinte, o Queen é a trilha sonora da vitória e da superação. A realeza do rock não precisa de trono quando tem o mundo aos seus pés. Este é o meu veredito. Vida longa à Rainha!


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