O Diabo Veste Prada 2: Lady Gaga e Doechii Botam o Mundo Fashion para Tremer
Gaga, Doechii e Bruno Mars juntos em um hino house que é puro luxo, poder e sedução. “Runway” chega com clipe vanguardista e prepara o tapete vermelho para o retorno triunfal de Meryl Streep e Anne Hathaway aos cinemas.
“Runway”: Tudo o que você precisa saber sobre o retorno triunfal de O Diabo Veste Prada
Quase duas décadas após o lançamento do filme original, que se consolidou como o manual definitivo de estilo e poder corporativo, o anúncio de O Diabo Veste Prada 2 desperta uma nostalgia latente. O público agora se questiona: como Miranda Priestly e seu império navegarão em uma era definida pelo declínio da mídia impressa e pela ditadura do algoritmo? Para ditar o tom dessa transição, a 20th Century Studios não apostou apenas em figurinos de grife, mas em um manifesto sonoro: o single “Runway”, uma colaboração explosiva que serve como a alma da nova era da franquia.
Uma Colaboração de Gerações: Lady Gaga encontra Doechii
“Runway” une dois mundos e duas trajetórias de impacto inegável. Lady Gaga, em um momento de dominação absoluta após sua era Mayhem — que emplacou três hits número um apenas em 2025 (Abracadabra, Vanish Into You e The Dead Dance) —, une forças com Doechii, a força do rap que vem redefinindo o gênero. A química entre as duas cristalizou-se no iHeartRadio Music Awards de 2025, quando Doechii entregou o Innovator Award para Gaga.
Essa união representa a democratização do glamour, onde a resistência se manifesta através da “fabulosidade”. Gaga, em entrevista à British Vogue, foi cirúrgica ao descrever por que escolheu Doechii: para ela, a rapper surgiu “com uma caneta que soa imediatamente lendária”. Nas palavras de Gaga:
“O poder em suas palavras, sua vulnerabilidade, a maneira como ela rima com essa mistura selvagem de audácia e precisão emocional — isso me atingiu profundamente.”
Arquitetura Sonora: O Toque de Bruno Mars e o Mandato de Klump
O envolvimento de Bruno Mars na faixa é o que a eleva de uma trilha sonora comum para uma peça de engenharia pop. Mars não apenas co-escreveu e produziu (ao lado de Andrew Watt, Cirkut e D’Mile), como também assumiu as baquetas e os teclados, trazendo uma textura orgânica à produção house-pop e hip-hop.
A sonoridade bebe diretamente da cultura ballroom e do legado LGBTQ+, algo evidenciado pela gíria “kii-kii” na letra, transformando a música em um hino de resistência e autoafirmação. A introdução da faixa traz um toque de mestre: um sample do filme O Professor Aloprado (1996). A voz de Eddie Murphy, como Sherman Klump, dita o que chamamos de “mandato de desfile”: “No matter what, no matter what… you got to strut.” É a ironia fina de usar um conselho de comédia dos anos 90 como base para a confiança inabalável exigida pela alta moda.
O Visual como Evento: A Estética de Parris Goebel
Sob a direção de Parris Goebel, o videoclipe de “Runway” é um espetáculo avant-garde de coreografia e simbolismo. A produção é um desfile por si só, apresentando peças de casas como Viktor & Rolf, Harris Reed e o icônico catsuit de Gaurav Gupta, além dos sapatos Opera Platform de Thom Solo.
Para os fãs de longa data de Gaga, o vídeo esconde um easter egg visual: o cabelo em ondas amarelas, uma clara referência à era de “Telephone” (2010). O simbolismo atinge seu ápice com a aparição de um salto agulha gigante cujo salto é um tridente — uma referência direta ao logotipo clássico do filme. Como bem definiu a crítica da Clash:
“‘Runway’ é um blockbuster em todos os sentidos… um single luxuoso e maior que a vida, cuja posse consciente das manchetes vem de duas mulheres especialistas em atrair atenção.”
Realidade vs. Ficção: O Desafio de Miranda Priestly
A estratégia de marketing do filme busca romper a quarta parede de forma brilhante. Foi lançada uma edição física e limitada da revista Runway em bancas de Nova York e Los Angeles (e online via RunwayOnline.com), trazendo o elenco na capa.
O movimento é dotado de um meta-comentário fascinante. Na trama da sequência, dirigida por David Frankel e escrita por Aline Brosh McKenna (a dupla original de 2006), Miranda Priestly enfrenta justamente o encolhimento de orçamentos editoriais e a crise do impresso. Ao lançar uma revista física luxuosa na vida real enquanto a personagem luta para mantê-la viva na ficção, a produção cria uma tensão provocativa entre o valor tátil do passado e a volatilidade do futuro digital.
Desempenho Avassalador: Quebrando Recordes
“Runway” provou ser um fenômeno comercial instantâneo. A faixa estreou em #1 na parada Dance Digital Song Sales da Billboard — o 10º topo de Gaga nesta lista. No cenário geral, a música estreou em #50 na Hot 100, marcando a 33ª entrada de Gaga e a 5ª de Doechii na principal parada dos EUA. O single também garantiu um impressionante #5 na Hot Dance/Pop Songs, consolidando o “breakthrough” de Doechii em um território antes dominado apenas por veteranos do pop.
Que o Futuro Reserva?

“Runway” não é apenas uma música; é um manifesto que prepara o tapete vermelho para o retorno de Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci em 1º de maio. O filme promete atualizar as intrigas da Elias-Clark para as complexidades de 2026.
Diante de tamanha antecipação, a pergunta que fica é: em um mundo dominado pela velocidade das tendências efêmeras e orçamentos reduzidos, o estilo impecável e o olhar gélido de Miranda Priestly ainda conseguem ditar as regras do que é realmente relevante? Se o impacto de “Runway” serve de indicação, a resposta é um sonoro “sim”. That’s all.

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