O voo de coração de Ritchie

Do Posto 9 a Londres: O voo de coração de Ritchie e Steve Hackett bombando de novo

A amizade entre Steve Hackett, ex-guitarrista do Genesis, e Ritchie nasceu no Brasil nos anos 80 e atravessou décadas. Em 2026, a dupla voltou a trabalhar junta em uma nova versão de “Voo de Coração”, agora com produção internacional e uma sonoridade mais moderna e emocionante.

À primeira vista, parecia impossível imaginar uma ligação entre o universo sofisticado do Genesis e o pop radiofônico de Ritchie. Mas foi justamente essa mistura improvável que criou uma das amizades mais curiosas da música internacional.

De um lado estava Steve Hackett, conhecido pelas guitarras atmosféricas e pelo som elaborado do Genesis nos anos 70. Do outro, Ritchie, cantor britânico radicado no Brasil que explodiu nas rádios com sucessos como “Menina Veneno” e “Voo de Coração”.

O que unia os dois era o gosto por melodias fortes e arranjos criativos.

Quando o Genesis virou febre no Brasil

Para entender essa conexão, é preciso voltar para 1977. Em plena ditadura militar, o Genesis desembarcou no Brasil para uma turnê histórica com 14 shows em apenas 12 dias.

As apresentações no Maracanãzinho, no Ibirapuera e no Gigantinho atraíram multidões. Em uma época com poucos shows internacionais, a banda virou um verdadeiro fenômeno cultural.

Steve Hackett lembra que a reação do público brasileiro parecia algo próximo da Beatlemania.

Segundo ele, havia uma enorme sede por cultura internacional durante aqueles anos difíceis.

Uma amizade nascida no Carnaval

O encontro entre Ritchie e Hackett aconteceu de forma totalmente casual no Carnaval de 1980, em Itaipava, na Região Serrana do Rio.

Hackett era casado com uma brasileira na época e acabou conhecendo Ritchie durante uma temporada em uma casa de campo.

A amizade cresceu rapidamente. Os dois passaram a dividir corridas pela Vista Chinesa e pela Lagoa Rodrigo de Freitas, além da paixão pela música.

Naquele período, Ritchie ainda dava aulas de inglês enquanto tentava crescer na cena musical brasileira.

O sucesso que transformou Ritchie em ídolo nacional

Tudo mudou em 1983, quando “Menina Veneno” virou um dos maiores sucessos da música brasileira.

O álbum “Voo de Coração” vendeu cerca de 1,5 milhão de cópias e transformou Ritchie em um fenômeno pop.

Steve Hackett acompanhou de perto essa explosão e chegou a definir o amigo como uma espécie de “Elvis brasileiro”.

Para o guitarrista do Genesis, Ritchie conseguiu unir inteligência musical com enorme apelo popular.

A nova versão de “Voo de Coração” em 2026

Décadas depois, a amizade voltou a render frutos.

Durante a turnê “The Best of Genesis – Latin American Tour 2026”, Hackett e Ritchie decidiram revisitar “Voo de Coração”.

A nova gravação envolveu músicos e estúdios em três países diferentes. As bases foram feitas em São Paulo, os vocais gravados na Biscoito Fino e as guitarras registradas em Londres.

Hackett adicionou novas camadas de guitarra, efeitos atmosféricos e um solo mais longo no final da faixa.

O resultado ficou mais sofisticado e cinematográfico.

Steve Hackett diz preferir nova versão ao original

Em uma declaração surpreendente, Hackett afirmou que prefere a nova gravação ao registro original dos anos 80.

Segundo ele, a tecnologia atual permitiu alcançar uma sonoridade mais próxima daquilo que imaginava artisticamente décadas atrás.

A fala dividiu opiniões entre fãs mais nostálgicos, mas mostrou como o músico continua aberto à evolução sonora.

A parceria entre Steve Hackett e Ritchie prova que a música consegue ultrapassar fronteiras, estilos e épocas.

O encontro entre o rock progressivo britânico e o pop brasileiro criou uma história rara: uma amizade construída longe dos holofotes e que continua viva mais de 40 anos depois.

A nova versão de “Voo de Coração” não é apenas uma regravação. É o reencontro de dois artistas que ajudaram a marcar gerações diferentes da música.

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