Podcast: O que Marília Mendonça revela sobre todos nós
Entenda como Marília Mendonça e o feminejo mudaram a forma de sofrer por amor no Brasil — e por que essa história tem muito mais por trás. Ouça o podcast completo.
O fim do jeito antigo de sofrer por amor
A música “Leão”, da Marília Mendonça, ficou 51 semanas seguidas no topo da Billboard Brasil. Não foi um sucesso passageiro — foi uma virada completa na forma como a gente lida com o fim de um relacionamento. Em 2023, o tempo que as pessoas passaram ouvindo esse tipo de música cresceu 31% em relação ao ano anterior. Ou seja: mais gente do que nunca está transformando a dor de cotovelo em trilha sonora do dia a dia.
E isso levanta uma pergunta interessante: por que a gente gosta tanto de ouvir sobre sofrimento alheio — e de exibir o próprio?
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Mas essa história tem muito mais camadas do que cabe em um texto. Tem contradição, tem história de mercado, tem gente que discorda completamente dessa leitura — e detalhes que só fazem sentido quando você escuta com calma.
É justamente isso que a gente explora, com profundidade e sem enrolação, no nosso podcast sobre o fenômeno Marília Mendonça e a explosão do feminejo no Brasil. Dá o play e entenda por que essa história é bem maior do que parece à primeira escuta.
Entenda o assunto: como o sertanejo virou dono das paradas
O sertanejo não chegou ao topo por acaso. Entre 2019 e 2023, o gênero cresceu 137% só no Spotify — um salto gigante.
O segredo? Capacidade de se reinventar. Durante a pandemia, com os shows parados, o sertanejo sentiu a concorrência do piseiro e do trap crescendo forte. A resposta da indústria foi simples: em vez de brigar contra esses estilos, o sertanejo absorveu pedaços deles. Vieram parcerias com artistas como Barões da Pisadinha e Mari Fernandes, misturando sons novos com a base tradicional.
Marília Mendonça já vinha fazendo esse tipo de mistura antes mesmo dessa fase mais recente, unindo elementos do trap ao sertanejo tradicional — um jeito de garantir que o gênero sempre tivesse algo novo para oferecer, sem perder a identidade.
O que está por trás dessa história: mulheres tomando o microfone
Por muito tempo, o sertanejo foi um mundo dominado por homens cantando sobre suas dores no bar. A virada aconteceu quando as mulheres pegaram esse mesmo roteiro — e contaram do próprio ponto de vista.
Marília Mendonça começou compondo por trás das câmeras, para duplas masculinas. Depois, ela mesma passou a cantar essas histórias, mas com a voz da mulher que sofreu a traição, não a do homem que causou.
Deu para sentir a diferença logo. Em gerações anteriores, como a de Paula Fernandes, a dor era mais contida, mais silenciosa. Já em músicas como “Infiel”, a reação muda completamente: ao descobrir a traição, a personagem arruma as malas do parceiro, entrega elas na porta da amante e segue a vida sem pedir desculpa por nada. Em “R$ 50”, da Naiara Azevedo, o flagrante vira até motivo de riso e exposição pública — não de choro escondido.
As questões mais importantes: até que ponto isso é libertador?
Aqui a história fica mais complicada — e é uma das partes mais discutidas do podcast.
Enquanto “Infiel” celebra a mulher que expulsa o parceiro infiel, outras músicas do gênero, como “Amante não tem lar”, jogam toda a culpa na outra mulher, poupando o homem de qualquer responsabilidade. A própria cantora Simone Mendes já resumiu bem esse contraste ao dizer que o movimento tem “10 centavos de feminismo” — reconhecendo o avanço, mas também os limites dele.
E os limites não param por aí. Esse universo costuma valorizar um padrão bem específico de mulher: magra, branca, dentro de um estilo caro de vida — whisky premium, arena lotada, roupa de grife. Pouco espaço sobra para mulheres negras, para outras realidades de corpo, ou para quem simplesmente não pode pagar esse tipo de “cura” cara.
Uma reflexão: por que isso importa pra gente, hoje
Talvez o ponto mais interessante de tudo isso não esteja na música em si, mas no que ela revela sobre como a gente vive hoje.
Antes, ficar mal por amor era algo íntimo. Hoje, virou quase uma apresentação pública — postar a letra certa no story, curtir o vídeo certo, mostrar pros outros que você está “superando” e “arrasando”, mesmo quando, por dentro, a sensação é bem diferente.
A própria letra de “Todo mundo vai sofrer” mistura isso: uma vulnerabilidade real com uma vontade de mostrar força para quem está olhando. É a dor, só que embalada para ser exibida.
Fica a pergunta: será que, no meio dessa necessidade de mostrar que estamos bem o tempo todo, a gente perdeu o direito de simplesmente ficar triste em silêncio, sem precisar provar nada pra ninguém?
Perguntas frequentes sobre Marília Mendonça e o feminejo
Quem foi Marília Mendonça?
Marília Mendonça foi uma das principais cantoras e compositoras do sertanejo brasileiro. Com músicas sobre relacionamentos, traição, amor e recomeços, ela conquistou milhões de fãs e se tornou uma das vozes mais marcantes de sua geração.
O que é feminejo?
Feminejo é o termo usado para falar sobre a presença e o protagonismo das mulheres no sertanejo. O movimento ganhou força com cantoras que passaram a contar, pela perspectiva feminina, histórias de amor, separação, traição e independência.
Por que Marília Mendonça foi tão importante para o sertanejo?
Marília ajudou a mudar a forma como as mulheres eram representadas nas músicas sertanejas. Como cantora e compositora, levou para o público histórias e sentimentos que muitas mulheres reconheciam em suas próprias vidas.
Quais músicas de Marília Mendonça ficaram conhecidas?
Entre os grandes sucessos estão “Infiel”, “Todo Mundo Vai Sofrer”, “Leão”, “Amante Não Tem Lar” e “Eu Sei de Cor”. Essas músicas ajudaram a consolidar Marília como uma das artistas mais populares do sertanejo.
Por que as músicas de sofrimento fazem tanto sucesso?
Porque elas falam de situações que fazem parte da vida de muita gente. Términos, traições, saudade e recomeços são experiências comuns. A música transforma esses sentimentos em histórias que o público consegue reconhecer e cantar junto.
Onde posso ouvir o podcast sobre Marília Mendonça?
O podcast está disponível nesta página do 98 FM Rio. Dê o play e acompanhe a discussão sobre Marília Mendonça, o feminejo e as mudanças que esse movimento provocou na música e na maneira de falar sobre relacionamentos.




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