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Grêmio 0x1 Flamengo: Domínio rubro-negro quebra tabu de 100 dias na Arena

Com 70% de posse e nó tático de Leonardo Jardim, o Flamengo sufocou o Grêmio e encostou no topo. Veja os detalhes do triunfo que afundou o rival no Z-4.

A noite de 10 de maio de 2026, na Arena do Grêmio, teve clima de decisão mesmo valendo “apenas” três pontos. De um lado, o Flamengo de Leonardo Jardim, cada vez mais organizado, intenso e candidato real ao título brasileiro. Do outro, um Grêmio pressionado pela tabela, tentando sobreviver a uma temporada turbulenta.

O placar de 1 a 0 pode até parecer magro, mas o que aconteceu em campo foi um retrato brutal da diferença técnica, física e mental entre os dois gigantes neste momento do futebol brasileiro. O Flamengo dominou, sufocou e desmontou o sistema gremista em pleno território gaúcho, encerrando de vez qualquer narrativa de equilíbrio recente.

Mais do que uma vitória, foi uma demonstração de força.


O maior clássico de mata-mata do Brasil ganha novo capítulo

Poucos confrontos carregam tanta carga histórica quanto Flamengo x Grêmio. O duelo já decidiu Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro em diferentes eras do futebol nacional. Agora, os clubes alcançam a impressionante marca de 15 confrontos eliminatórios diretos entre si — um recorde absoluto no país.

E a balança histórica começa a pender perigosamente para o lado carioca.

O Flamengo abriu 9 a 6 no retrospecto dos mata-matas e ampliou uma sequência que virou pesadelo para os gaúchos. Desde a semifinal da Libertadores de 2019 — eternizada pelo impiedoso 5 a 0 no Maracanã — o Grêmio acumula cinco eliminações consecutivas diante do rival.

O que antes era um confronto equilibrado entre duas potências copeiras agora começa a ganhar traços claros de hegemonia rubro-negra.


Os números que humilharam o Grêmio dentro da própria Arena

O técnico Luís Castro tentou proteger sua equipe com uma linha de três zagueiros formada por Gustavo Martins, Balbuena e Viery. A missão era clara: preservar os 100 dias de invencibilidade em casa e manter a sequência de cinco partidas sem sofrer gols.

O plano durou pouco.

GRÊMIO 0 X 1 FLAMENGO | MELHORES MOMENTOS | 15ª RODADA BRASILEIRÃO 2026 | ge.globo

O Flamengo transformou a Arena em um laboratório de posse, pressão e circulação ofensiva. A diferença estatística foi tão grande que o 1 a 0 parece quase enganoso:

  • Posse de bola: 70% x 30%
  • Passes trocados: 694 x 290
  • Finalizações: 18 x 6
  • Escanteios: 6 x 0
  • xG (gols esperados): 2.71 x 0.26

Foi um massacre técnico.

O único motivo para o placar não virar goleada foi a atuação monumental de Weverton. O goleiro gremista operou milagres durante os 90 minutos e evitou um cenário ainda mais traumático para o torcedor tricolor.

Após a partida, Leonardo Jardim resumiu a dimensão do resultado:

“O Grêmio estava há 100 dias sem perder aqui. Nos últimos 12 confrontos, o Flamengo tinha vencido apenas três vezes na Arena.”

Dessa vez, venceu — e convenceu.


O susto com Pedro mudou o clima do jogo

Aos sete minutos do primeiro tempo, o estádio silenciou.

Pedro levou um chute acidental de Carrascal no rosto e caiu desacordado no gramado. O atacante precisou ser retirado imediatamente para avaliação hospitalar, gerando enorme preocupação entre jogadores e torcida.

Em outros tempos, perder sua principal referência ofensiva tão cedo poderia desmontar emocionalmente o Flamengo. Mas este elenco mostrou maturidade competitiva.

A equipe manteve intensidade, controle emocional e domínio territorial mesmo sem seu camisa 9.

A entrada de Bruno Henrique ainda carregou um simbolismo forte: ele é um dos últimos remanescentes da geração histórica de 2019 e representa a ponte entre o Flamengo dominante do passado recente e este novo modelo construído por Leonardo Jardim.


Everton Ribeiro e Gabigol simbolizam o fim de uma era

Enquanto o Flamengo renasce coletivamente, dois dos maiores ídolos da geração campeã vivem momentos difíceis longe da Gávea.

Everton Ribeiro no Bahia

Everton Ribeiro, hoje no Bahia, enfrenta o peso inevitável da idade aos 37 anos. O desgaste físico se soma à recuperação do câncer de tireoide diagnosticado em 2025.

As críticas da torcida baiana aumentam rodada após rodada, criando um cenário doloroso para quem foi cérebro, capitão e símbolo técnico do Flamengo multicampeão.

Gabigol no Cruzeiro

Já Gabigol vive um cenário ainda mais delicado no Cruzeiro. O atacante, herói eterno da Libertadores de 2019, virou problema financeiro e esportivo.

O alto salário, a queda de rendimento e a dificuldade de encaixe fizeram o clube considerar negociações futuras.

O futebol é cruel com seus ídolos. A glória é eterna na memória, mas o presente cobra desempenho.


Jorginho deu aula e Leonardo Jardim venceu no tabuleiro

O grande nome tático da partida foi Jorginho.

O volante comandou o meio-campo com autoridade absurda:

  • 135 ações com a bola
  • 121 passes certos em 125 tentativas
  • 97% de aproveitamento

Foi uma atuação de controle total do ritmo do jogo.

Mas o xeque-mate veio do banco.

Aos 19 minutos do segundo tempo, Leonardo Jardim lançou Emerson Royal no lugar de Ayrton Lucas, deslocando Varela para a esquerda.

Três minutos depois, nasceu o gol da vitória.

Léo Ortiz encontrou Royal com um lançamento preciso. O lateral cruzou de primeira, e Jorge Carrascal apareceu livre para marcar.

Uma jogada construída exatamente a partir da alteração do treinador.

Treino, leitura de jogo e execução perfeita.


A vitória deixou o Flamengo a apenas quatro pontos do líder Palmeiras, ainda com um jogo a menos. O cenário começa a ficar perigosamente favorável para os cariocas.

O time parece encaixado fisicamente, sólido defensivamente e cada vez mais confortável no modelo de Leonardo Jardim.



Já o Grêmio mergulha numa crise profunda.

A derrota empurrou o clube para a 17ª posição, dentro da zona de rebaixamento, além de destruir uma das últimas fortalezas psicológicas da equipe: a força dentro da Arena.

O mais preocupante não foi perder.

Foi parecer incapaz de competir.


Conclusão: estamos vendo uma mudança definitiva de patamar?

O Flamengo de 2026 talvez ainda não tenha o brilho emocional da geração de 2019. Mas há algo igualmente assustador surgindo: consistência.

O time controla jogos grandes, sufoca adversários e parece cada vez mais confortável em ambientes hostis.

O Grêmio, por outro lado, vive exatamente o movimento oposto: instabilidade, perda de confiança e um elenco que parece emocionalmente abatido.

A grande questão que fica no ar é inevitável:

A recente superioridade rubro-negra é apenas uma fase passageira do futebol brasileiro… ou estamos assistindo a uma mudança estrutural definitiva entre dois dos clubes mais históricos do país?

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