Internacional atropela o Botafogo por 3 a 0, deixa o Z-4 e ganha fôlego no Brasileirão
O Beira-Rio foi palco de uma tarde de redenção pura. Vindo de uma sequência sufocante dentro da zona da degola, o Internacional entrou em campo para a 32ª rodada do Brasileirão 2026 sabendo que apenas a vitória interessava para renovar o ar e manter acesa a esperança de permanência na Série A. O peso do momento cobrava uma resposta imediata e contundente de todo o ambiente colorado.
Uma única tarde, contudo, foi capaz de transformar radicalmente a atmosfera do clube. Sob intensa cobrança vinda das arquibancadas e em um gramado encharcado pela chuva — que exigiu até a entrada de rodos antes do apito inicial —, o Inter protagonizou uma reviravolta tática e emocional. O placar categórico de 3 a 0 construído sobre o Botafogo devolveu a dignidade e o alívio ao torcedor em Porto Alegre.
1. A Revolução da Intensidade e o “Dedo do Técnico” no Ataque
A mudança de postura do Internacional passa diretamente pela chegada do técnico Eduardo Baptista. O treinador imprimiu um novo ritmo de trabalho no Beira-Rio, elevando drasticamente o nível de intensidade cobrado tanto nos treinamentos do dia a dia quanto no comportamento da equipe durante os 90 minutos. Esse ajuste de rota ficou evidente na competitividade e no apetite tático demonstrados desde os primeiros movimentos da partida.
O primeiro gol do confronto nasceu de uma jogada individual trabalhada e ensaiada ao longo da semana. Pela direita, Aguirre fez um lindo lance ao deixar a marcação no chão e cruzar para a área. Atento às orientações de Eduardo Baptista para que o lateral do lado oposto atacasse a grande área, Matheus Bahia surgiu livre aos 31 minutos do primeiro tempo para estufar as redes. A assimilação imediata desse padrão tático evidencia o resgate da confiança do elenco no trabalho da comissão técnica.
“Ele conversou a semana toda com a gente: ‘se o ala oposto pisar na área, vai fazer o gol. Sempre vai sobrar uma bola’. E eu comprei essa ideia. Nos treinamentos, ele me cobrava todos os dias de pisar na área, chegar na área e fui muito feliz hoje. Então, mérito todo dele também, né? De acreditar na gente e a gente comprar a ideia dele também” — Matheus Bahia
2. Kauan Jesus: De Revelação dos Treinos a Herói sob os Holofotes do Beira-Rio
A tarde também reservou espaço para o surgimento de um novo herói sob extrema pressão. Sem o goleiro Matheus Cunha, suspenso, o jovem Kauan Jesus assumiu a meta colorada para realizar sua estreia como titular na equipe principal. Demonstrando maturidade e frieza de veterano, o garoto da base construiu uma atuação memorável com intervenções decisivas em momentos estratégicos da partida.
Kauan salvou o Inter ao parar uma finalização cruzada de Medina aos 27 minutos da etapa inicial, travar um chute à queima-roupa de Tiquinho Soares na pequena área aos 35, e espalmar um arremate forte de Ziyech aos 30 minutos do segundo tempo. A afirmação rápida do jovem arqueiro reflete a força de sua personalidade e o respaldo irrestrito recebido do grupo, confirmando nos holofotes do estádio o potencial que já impressionava nos treinos do CT.
“O Kauan é um menino que dentro do treino todo mundo se surpreendia com ele. Nesses últimos tempos, ele veio crescendo muito e eu, particularmente, eu conversei muito com ele, falei pra ele ter essa confiança. Então, a gente ganhou um grande jogador que estava no elenco” — Bruno Gomes
“No dia a dia, era um moleque absurdo, que fazia defesas absurdas e eu sabia que ele ia dar conta do recado. Ele tem muita personalidade, então acho que isso conta muito. No momento difícil que a gente estava, ele entrou e deu conta do recado” — Matheus Bahia
3. A Redenção de Jogadores sem Espaço e a Versatilidade do Coletivo
Além do brilho individual no gol, a vitória foi pavimentada pela recuperação de peças que buscavam afirmação. O zagueiro Juninho, autor do segundo gol aos 41 minutos do primeiro tempo após girar rápido em uma disputa confusa na área carioca, sintetiza essa virada. Pouco utilizado e convivendo com erros sob o comando do técnico anterior, Pezzolano, o defensor encontrou em Eduardo Baptista o respaldo para acertar o tempo de bola na alta intensidade cobrada em campo.
Essa entrega individual alimentou a versatilidade do coletivo, evidenciada na postura de atletas como Bruno Gomes, atuando em diferentes funções para suprir os desfalques do time. A superação da crise só se tornou viável porque o compromisso com o grupo sobrepôs qualquer vaidade individual em um momento em que ninguém destoou.
“Com o Pezzolano, não vinha tendo tanta oportunidade. E às vezes eu tinha cometido alguns erros. Então, acho que a principal foi a confiança que o treinador me deu desde o começo. As principais mudanças foram na parte da intensidade. A gente tinha intensidade com o Pezzolano, mas às vezes a gente estava um pouquinho atrasado em alguma jogada” — Juninho
“A gente estava devendo essa vitória para a torcida. E eu falei ali, tanto quanto comissão, quanto direção, quanto atleta, a gente se fechou. Acho que hoje foi um jogo que não tem ninguém que destoou, estava todo mundo 100% focado” — Bruno Gomes

4. O Alívio na Tabela: A Saída do Z-4 e a Combinação Perfeita de Resultados
Matematicamente, o triunfo por 3 a 0 — selado com o gol de Bernabei aos 21 minutos da etapa final — gerou o alívio que o torcedor esperava desde o inverno. A vitória maiúscula fez o Internacional deixar a zona de rebaixamento pela primeira vez desde o mês de agosto, reescrevendo o cenário do clube no campeonato.
Os resultados paralelos da 32ª rodada consolidaram a rodada perfeita para o Colorado. O triunfo do Vasco por 3 a 2 sobre o Corinthians empurrou a equipe paulista para o Z-4 e permitiu a ultrapassagem do Inter na tabela. Já o Botafogo, dirigido pelo técnico Tite, amargou sua terceira derrota recente e permaneceu estagnado no meio da classificação.
- Placar do jogo e autores dos gols: Internacional 3 x 0 Botafogo (gols de Matheus Bahia aos 31′ 1ºT, Juninho aos 41′ 1ºT e Bernabei aos 21′ 2ºT).
- Público e renda no Beira-Rio: 33.406 torcedores presentes (30.703 pagantes) e arrecadação de R$ 1.450.464,00.
- Posição e pontuação atualizada do Inter: 16ª colocação, atingindo 35 pontos na tabela do Brasileirão.
- Impacto dos resultados paralelos na zona de rebaixamento: O tropeço do Corinthians diante do Vasco (3 x 2) permitiu a saída do Inter do Z-4. O Botafogo manteve-se em 11º lugar, estacionado nos 39 pontos.
Conclusão
O apito final trouxe um sentimento inestimável de renovação para os mais de 33 mil torcedores que pulsaram no Beira-Rio. A atuação firme e aplicada mostrou uma equipe viva, ciente da responsabilidade e pronta para disputar cada palmo de chão nas seis rodadas decisivas que ainda restam no Campeonato Brasileiro.
O próximo passo desse alívio será testado longe de Porto Alegre, em um confronto direto no Rio de Janeiro contra o Fluminense. Fica a provocação para o torcedor colorado: a nova postura tática e o resgate da intensidade sob o comando de Eduardo Baptista serão suficientes para engatar uma sequência positiva fora de casa e garantir o Inter de forma definitiva na Série A?
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