Sesko e Bruno viram o jogo, United bate o Palace em 10 e cola no Top 3 da Premier League
28ª rodada | Premier League | Old Trafford, Manchester | 1º de março de 2026
Manchester United 2 x 1 Crystal Palace
Gols: Lacroix (4′) | Bruno Fernandes (57′, pen.) | Sesko (65′)
Público: 73.934 | Árbitro: Chris Kavanagh
O jogo que o United precisava vencer — e quase não venceu
O Manchester United não chegou cedo à partida. O Crystal Palace, sim.
Aos 4 minutos, Maxence Lacroix subiu mais alto que a defesa dos Red Devils numa cobrança de escanteio e mandou para o fundo da rede. Old Trafford engoliu seco. Era exatamente o roteiro que a equipe de Michael Carrick não queria: sair atrás contra um rival que viajou para Manchester já classificado nas oitavas da Conference League e com moral renovada após bater o Wolves no fim de semana anterior.
Por 50 minutos, o Palace teve o melhor do jogo. Ismaïla Sarr ameaçou ampliar. A defesa vermelha vacilou em mais de um momento. O 0 a 1 no placar era reflexo fiel do que acontecia em campo.
Até que Lacroix, de herói, virou vilão.
A virada: pênalti, expulsão e Sesko fazendo o que sabe
O mesmo zagueiro francês que abriu o placar cometeu, aos 56 minutos, a falta que destruiu o plano de Oliver Glasner. Lacroix agarrou Matheus Cunha em clara posição de último homem. O VAR confirmou: pênalti e expulsão. Dois lances num só.
Bruno Fernandes foi à cobrança. Sem cerimônia, sem hesitação: 1 a 1.
Com um jogador a mais, o United finalmente mostrou o futebol que justifica sua invencibilidade de 10 jogos seguidos na liga. E foi Benjamin Sesko quem fechou a conta: aos 65 minutos, o esloveno apareceu no segundo poste para cabecear um cruzamento primoroso de Bruno Fernandes no canto direito do goleiro Dean Henderson. Seis gols em sete jogos. Nenhum de pênalti. O atacante é, neste momento, o artilheiro de gols em jogo aberto da Premier League em 2026.
Análise tática: o que o Palace acertou e o que o United ainda precisa resolver
Oliver Glasner montou uma proposta inteligente. O sistema 3-4-2-1 do Palace pressionou as saídas de bola do United nos primeiros 45 minutos, fechou os corredores centrais e isolou Sesko — que, curiosamente, entrou na equipe titular pela primeira vez sob o comando de Carrick justamente nessa partida.
O United jogou em 4-2-3-1, com Casemiro e Mainoo no duplo pivô. No papel, a estrutura é sólida. Na prática, a equipe sentiu a ausência de profundidade no banco — sem Mason Mount (ainda em recuperação) e com Matthijs de Ligt indisponível, o time ficou exposto a qualquer dificuldade que surgisse.
A expulsão de Lacroix foi o divisor de águas óbvio, e seria desonesto analisar o resultado ignorando esse fator. O United não estava jogando melhor que o Palace — estava jogando com um jogador a mais. Isso diz tanto sobre os limites atuais do time quanto sobre a resiliência que a equipe tem demonstrado para buscar resultados quando precisa.
Bruno Fernandes foi, novamente, o cérebro da equipe. Participou do gol de pênalti e serviu Sesko no segundo. Carrick ainda não encontrou um perfil definitivo para o time, mas encontrou algo valioso: dois jogadores que decidem quando o jogo está em aberto.
Os personagens principais
Benjamin Sesko foi o nome da partida. Primeiro titular completo sob Carrick, o esloveno confirmou que seu começo de 2026 não é oscilação — é regularidade. Cinco gols nos últimos 150 minutos jogados. Um centroavante que sente o gol de maneira quase instintiva.
Bruno Fernandes segue como o jogador que o United não pode perder. Cobrou o pênalti com autoridade, cruzou para o gol decisivo e ainda tentou mais dois arremates no segundo tempo. Liderança técnica e emocional num só pacote.
Maxence Lacroix resumiu a tragédia do Crystal Palace em 90 minutos: marcou o gol que abriu o jogo e foi expulso numa falta que fechou qualquer possibilidade de resultado positivo. Personagem principal pelos motivos mais contrastantes possíveis.
Oliver Glasner, por sua vez, provou que ainda tem proposta de jogo — e que sua saída ao fim da temporada, já dada como certa por parte da imprensa inglesa, é uma perda real para o Crystal Palace.
Repercussão externa
A partida foi acompanhada com atenção além das ilhas britânicas. O contexto é conhecido: Glasner segue na lista de candidatos a assumir o Manchester United de forma permanente no verão, segundo os bookmakers ingleses. A atuação do austríaco em Old Trafford — montando um time bem organizado com um elenco limitado — dificilmente passou despercebida pelos bastidores do clube.
Michael Carrick, de seu lado, segue construindo sua candidatura ao cargo de forma silenciosa. Dez jogos sem perder na liga. Pontuação consistente. Um time que pode não jogar futebol espetacular, mas que acumula resultados onde importa: na tabela.
Impacto na tabela
Com a vitória, o Manchester United chega a 51 pontos e sobe para a 3ª posição da Premier League, à frente do Aston Villa no saldo de gols e três pontos acima do Liverpool, 5º colocado. A distância para o líder Arsenal é de 10 pontos, e para o Manchester City, 2º, de 8 pontos. A briga pelo título está fora do alcance realista — mas o retorno à Champions League, não.
O Crystal Palace permanece em 11º lugar com 35 pontos, numa posição confortável acima da zona de rebaixamento, mas sem ambições de tabela para o restante da temporada.
O que vem a seguir
O Manchester United tem sequência intensa pela frente. A equipe já confirmou classificação na Conference League — mas Carrick precisará administrar o elenco enxuto até o retorno de Mount e De Ligt. Cada jogo sem esses jogadores é um teste de gestão tanto quanto de futebol.
O Crystal Palace enfrenta, nos próximos compromissos, Spurs e Manchester City — dois dos rivais mais difíceis da liga. A sequência vai dizer muito sobre como o clube fechará a temporada antes da transição que se aproxima no comando técnico.

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