Lucas Pinheiro

Do Samba à Neve: 5 Coisas Surpreendentes sobre o Ouro Inédito de Lucas Pinheiro Braathen

Lucas Pinheiro Braathen garantiu a primeira medalha de ouro do Brasil e da América do Sul nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.

É CAMPEÃO! LUCAS PINHEIRO CONQUISTA O OURO NO SLALOM GIGANTE | Jogos de Inverno | sportv

O Improvável Encontro do Brasil com o Pódio Gelado

O Brasil é o país do asfalto quente, das praias infinitas e do Carnaval que não termina. No entanto, o dia 14 de fevereiro de 2026 operou um verdadeiro milagre geográfico: transformou o verde-amarelo em cor de pódio no “asfalto gelado” de Milão-Cortina. Lucas Pinheiro Braathen não apenas venceu a prova do Slalom Gigante; ele desafiou a lógica dos trópicos para cravar o nome do país em um território onde o gelo costuma ser apenas coadjuvante em copos de caipirinha. Como um protagonista que ignora as fronteiras do mapa, Lucas provou que a alma brasileira é capaz de encontrar a tangente perfeita mesmo sob temperaturas negativas.

Um Clube Exclusivo: Terceiro do Hemisfério Sul, Primeiro da América do Sul

A conquista de Lucas Pinheiro Braathen isola o Brasil em um patamar estatístico digno de colecionador. Ao cruzar o último gate com o melhor tempo, ele colocou o país em um grupo seletíssimo: somos apenas a terceira nação do Hemisfério Sul — abaixo da linha do Equador — a medalhar na neve, juntando-nos à Nova Zelândia (1992) e à Austrália (1994 e 2002).

Mas para quem gosta de uma boa rivalidade esportiva, o sabor é ainda mais especial. Lucas superou o recorde histórico da Argentina, que desde os Jogos de St. Moritz em 1928 detinha o melhor resultado sul-americano (um 4º lugar no bobsled). O ouro de Lucas é, portanto, o primeiro pódio da história da América do Sul em Jogos de Inverno, garantindo que “vencemos os hermanos” no terreno deles — o frio — de forma definitiva e incontestável.

O Atleta que Detestava Esquiar (e Preferia o Ronaldinho Gaúcho)

A trajetória de Lucas no esqui alpino é a história de um “não-amor” que virou destino. Filho da brasileira Alessandra Pinheiro e do norueguês Lucas Braathen — que, além de pai, foi seu mentor e técnico —, o campeão cresceu em Oslo, mas com o coração batendo em ritmo de futebol arte. Para o jovem Lucas, o esqui era um fardo: o excesso de camadas de roupa, o frio cortante e as botas de plástico que castigavam as pernas não faziam sentido para quem sonhava com a areia.

Sua verdadeira formação motora veio de vídeos no YouTube. Lucas passava horas no computador do pai estudando os movimentos de Ronaldinho Gaúcho, tentando imitar a elasticidade e o improviso do “Bruxo” no carpete de casa.

“O meu primeiro amor foi o futebol. Não foi o esqui. Eu não gostava nada de esquiar. É frio, são muitas roupas, bota, plásticos, dói sua perna. Eu gostava de praia, de calor, de mar, então eu não tenho ideia de como virei um esquiador alpino.”

Identidade “Bagunçada” e Carisma Multinacional

Lucas Pinheiro é a definição de fluidez cultural contemporânea. Torcedor fanático do São Paulo FC, fã de Jorge Ben Jor e Bossa Nova, ele transita entre o churrasco e o esqui com a naturalidade de quem entende que identidade não é uma linha reta. O seu carisma já rendeu episódios épicos, como quando conheceu Ronaldo Fenômeno. O “R9” simplesmente não acreditou que o rapaz era um atleta de elite da neve, perguntando: “Cara, fala a verdade, qual é o seu trabalho de verdade?”.

Essa conexão com o futebol é tão forte que ele já mandou um recado para o “compatriota” norueguês Erling Haaland: “Vem para o São Paulo! Não vai ser bom para a sua dieta, mas a gente fica de olho, vai dar tudo certo”. Com um sotaque que ele define como uma deliciosa confusão, Lucas se tornou o ídolo mais relacionável do atual ciclo olímpico: “Eu sou um norueguês, paulista, nordestino, carioca”, resume ele.

O Fator Isadora Cruz e o Renascimento sob a Bandeira Verde e Amarela

Se a técnica veio do lado norueguês da família, o combustível emocional para o retorno triunfal veio do Brasil. Após anunciar uma aposentadoria precoce enquanto ainda competia pela Noruega, Lucas encontrou na troca de nacionalidade o fôlego que faltava. O relacionamento com a atriz Isadora Cruz (a Agrado Garcia da novela “Coração Acelerado”) foi o catalisador final dessa imersão. Através dela, ele descobriu João Pessoa e expressões como “oxe” e “oxente”, que agora fazem parte de seu vocabulário oficial entre uma descida e outra.

Os Laços que “Abrasileiraram” o Campeão:

  • Apoio Familiar: O mentor Lucas Braathen (pai) e a herança afetiva de Alessandra Pinheiro (mãe).
  • Raízes Nordestinas: A influência de Isadora Cruz na conexão profunda com a Paraíba.
  • Espírito Tricolor: O amor pelo São Paulo FC, parabenizado publicamente pelo clube após o ouro.
  • O Retorno: A bandeira brasileira como a motivação principal para abandonar a aposentadoria e conquistar 10 pódios em Copas do Mundo antes da glória olímpica.

O Início de uma Nova Era?

O ouro inédito de Lucas Pinheiro Braathen é um manifesto de que o talento brasileiro ignora o termômetro. Ao ecoar a frase do presidente Lula de que “o esporte brasileiro não tem limites”, Lucas abriu um portal para uma nova realidade. E o show não acabou: nesta segunda-feira (16), ele volta para o gate de largada para disputar o Slalom, com chances reais de dobradinha.

Fica a provocação para o torcedor: será que estamos prontos para deixar de ser apenas o “país do futebol” e aceitar que também podemos ser uma potência improvável no gelo? Lucas já deu o primeiro passo, ou melhor, a primeira descida. O Brasil, agora, aprende a esquiar com ginga.


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