Flamengo x Bangu – Zebra histórica
Flamengo ‘alternativo’ leva gol de Garrinsha, perde do Bangu e segue sem vencer no Carioca
Garrinsha haitiano faz golaço, comanda vitória do Bangu e encerra jejum de 24 anos contra o Flamengo
Jogos de início de temporada podem, muitas vezes, parecer protocolares, um mero aquecimento para o que virá. No entanto, o futebol tem o dom de quebrar rotinas e entregar histórias incríveis quando menos se espera. A partida entre Bangu e Flamengo, válida pelo Campeonato Carioca, foi um exemplo perfeito disso: um roteiro com um herói inesperado, o fim de um tabu histórico e o drama de uma provável despedida.
Um haitiano chamado Garrinsha rouba a cena
O grande personagem da noite em Moça Bonita foi, sem dúvida, o atacante Garrinsha, do Bangu. Numa atuação avassaladora que definiu o jogo nos minutos iniciais, o haitiano de 24 anos foi o nome da partida. Logo aos 3 minutos, ele roubou a bola no meio de campo e deu uma assistência precisa para PK abrir o placar. Aos 11, foi a sua vez de brilhar com um golaço, cortando para o meio e batendo colocado, no ângulo.
Sua trajetória até o estrelato nesta partida é uma história à parte. Batizado pelo pai, Gary, um grande admirador da lenda do futebol brasileiro, Garrinsha chegou ao Brasil através do time Pérolas Negras, projeto da ONG Viva Rio para refugiados, sediado em Petrópolis. Antes de vestir a camisa do Bangu, ele ainda atuou pelo clube Petrópolis, na segunda divisão do futebol carioca. Sua performance contra um gigante como o Flamengo não foi apenas decisiva, mas também um poderoso símbolo de sua jornada de superação e talento.
O fim de um jejum de 24 anos
A vitória do Bangu teve um peso histórico gigantesco. O resultado positivo encerrou um jejum de 24 anos em que o time de Moça Bonita não conseguia vencer o Flamengo. Para tornar o feito ainda mais simbólico, a partida marcou o retorno do Rubro-Negro ao estádio do Bangu após uma ausência de nove anos. Para o Alvirrubro e sua torcida, a noite não foi apenas sobre três pontos, mas sobre quebrar um tabu e reafirmar sua força em um clássico carioca.
A aposta na base complica a vida do bicampeão
Enquanto o Bangu celebrava, o Flamengo ligava o sinal de alerta. Atual bicampeão carioca, o clube optou por iniciar o torneio com sua equipe sub-20, os “Garotos do Ninho”, enquanto o elenco principal realiza a pré-temporada. A aposta, até agora, não tem trazido bons resultados. Após o gol de honra marcado por Guilherme, o time até mostrou poder de reação, acertando a trave com Joshua antes do intervalo, mas não foi o suficiente.
Com a derrota, o Flamengo permaneceu sem vitórias no campeonato, somando apenas um ponto em dois jogos disputados. O tropeço complica a caminhada da equipe, já que restam somente quatro partidas na Taça Guanabara, que é dividida em dois grupos de seis, com os quatro melhores se classificando para as quartas. Nem mesmo a entrada de Ryan Roberto, de 17 anos e artilheiro das categorias de base do clube na temporada de 2025, conseguiu mudar o destino da partida.
Um provável adeus em tom melancólico
A noite também teve um tom de despedida para o atacante Wallace Yan. Com sua venda para o Red Bull Bragantino já encaminhada, esta pode ter sido a última vez que o jogador, formado na base do clube, vestiu a camisa rubro-negra. Sua atuação foi discreta e marcada por um cartão amarelo recebido no final do jogo. Para um “prata-da-casa”, o provável adeus em meio a uma derrota frustrante adicionou uma camada melancólica a uma noite já complicada para o Flamengo.
Mais do que Apenas um Jogo
Esta única partida em Moça Bonita ofereceu uma tapeçaria rica de narrativas. Vimos a consagração de um herói improvável com uma história de vida inspiradora, o fim de um tabu que durava mais de duas décadas e o drama de um gigante do futebol que vê sua aposta na juventude tropeçar. Mais do que um simples resultado, o jogo deixou uma pergunta no ar: o que esta zebra histórica significa para o restante do Campeonato Carioca?




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