Ensaio Técnico na Sapucaí: Quando o Samba Virou Polo Aquático e Ninguém Reclamou
Carnaval carioca virou esporte aquático: chove, alaga, mas o samba segue firme. Entre boias imaginárias e piadas afiadas, Papagaio e Pato provam que o sambista não desiste — improvisa, ri e desfila até nadando.
O carioca é um caso a ser estudado pela NASA, mas o sambista… ah, esse precisa ser canonizado pelo Vaticano. O que vimos nos últimos dias nos ensaios técnicos da Sapucaí não foi um teste de harmonia, foi um teste de resistência anfíbia. Se a Liesa queria inovação, parabéns: transformaram a Avenida num parque aquático sem cobrar ingresso de resort. Tinha passista fazendo “vapt-vupt” na poça d’água e ritmista tocando surdo de terceira pra ver se o som saía tipo sonar de submarino. A nota 10 desse ano não vai para a evolução, vai para quem conseguiu chegar ao final do desfile sem perder a dignidade e o tamanco na enchente da Presidente Vargas.
E por falar em evolução, alguém avisa na Cidade do Samba que “ritmo de pré-temporada” é pro futebol. Tem escola desfilando com tanta preguiça que, se o cronômetro travar, o componente dorme na pista. Se o mestre de bateria não der um choque nesse pessoal, o único “shaking” que vamos ver no Carnaval é o do queixo do povo tremendo de frio com esse janeiro chuvoso. A pergunta que fica no botequim: O Carnaval 2026 vai ser na Sapucaí ou vamos ter que transferir os desfiles para a Lagoa Rodrigo de Freitas e dar um jet-ski pra cada mestre-sala? Abram as alas (e os guarda-chuvas), porque o samba não para, mas o sapato… esse já era!
🔵 A Saga Aquática que Ninguém Encomendou
Olha, meu povo maravilhoso, vou começar do começo porque essa história merece. Os ensaios técnicos começaram no fim de janeiro com chuva, tempo fechado e tudo, mas o público lotou as arquibancadas e frisas da Sapucaí mesmo assim. Mocidade, Paraíso do Tuiuti e Salgueiro levaram suas comunidades pro treino final, cada uma mostrando um pouco do que tá preparando pro grande dia. Só que dessa vez, além de sambar, o pessoal precisou nadar também.
E não é exagero não, viu. A Mocidade deu uma prévia do enredo, o Tuiuti levantou a arquibancada inteira, e o Salgueiro chegou com “Hutukara”, aquele enredo do carnavalesco Edson Pereira sobre a cultura Yanomami. Tudo lindo, tudo organizado, tudo molhado. Porque São Pedro decidiu que ia mandar água tipo represa estourando barragem.
Traduzindo pro carioquês raiz: É tipo você ir no baile funk esperando dançar e descobrir que virou aula de natação sincronizada. Só que em vez de reclamar, o carioca improvisa, abraça a situação e transforma tudo em meme. Porque se tem uma coisa que o sambista sabe fazer é tirar samba de desgraça — literalmente.
🔴 Quando a Água Passou do Tornozelo e Virou Prova de Resistência
Agora vem a parte que dá pra rir (hoje) mas que na hora devia tá complicado: a água na pista não era aquela chuvinha romântica de novela das seis não. Era água acima do tornozelo, meu irmão! Componente sambando com a perna dentro d’água, parecendo cisne fazendo balé aquático. A bateria tocando surdo encharcado, passista tentando girar sem escorregar, e o público na arquibancada gritando igual torcida em jogo do Flamengo.
Tem gente que reclama quando pinga uma gotinha de chuva. O sambista? Tá lá, firme e forte, mostrando que samba é resistência, é raça, é não desistir nem se São Pedro resolver esvaziar a caixa d’água celestial inteira em cima da Sapucaí. É por isso que eu digo: o carioca merece estudo da NASA, mas o sambista merece canonização mesmo.
🟣 O Janeiro Chuvoso que Tá Testando a Fé do Folião
Esse janeiro de 2026 tá mais molhado que toalha de praia esquecida no sol. Todo fim de semana é a mesma ladainha: céu fecha, trovão anuncia, e quando você vê, já tá aquele dilúvio bíblico caindo na cidade. E adivinha quem tá bem no meio dessa confusão? Os ensaios técnicos da Sapucaí, que acontecem justamente nos finais de semana de janeiro.
Dá pra imaginar a cena: componente chegando animado pra ensaiar, olha pro céu e vê aquela nuvem preta tipo final de mundo. Mas desiste? Jamais! Porque se tem uma coisa que o carnaval carioca ensina é que não existe tempo ruim quando o assunto é samba. Existe capa de chuva, existe guarda-chuva, existe improviso. O que não existe é desistir.
Pensa assim: É tipo marcar churrasco e começar a chover. O brasileiro médio cancela tudo e fica em casa assistindo série. O carioca sambista? Esse pega o churrasco, leva pra debaixo da laje, continua a festa e ainda transforma a chuva em parte do entretenimento. É ou não é digno de estudo científico?
🟢 E Agora? Bota Boia ou Ensaia Mesmo Assim?
A grande questão que fica é: como é que fica pra frente? Porque os ensaios continuam até fevereiro, e pelo jeito que o tempo tá, vai ter mais água descendo do céu do que cerveja descendo goela abaixo no botequim. A Liesa já tá acostumada com esse tipo de perrengue — não é a primeira vez que chuva resolve fazer participação especial nos ensaios — mas confesso que esse ano tá particularmente dramático.
O lado bom? O público tá indo igual. Arquibancada lotada, frisa cheia, geral querendo ver o que as escolas prepararam. E olha que a entrada é gratuita, então não tem desculpa de “ah, gastei dinheiro à toa”. Foi de graça, sambou de graça, se molhou de graça. Experiência completa, incluindo banho público na maior passarela do samba do mundo.
Moral da história: O Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas quando chove, chove pra valer. E quando o carioca decide sambar, samba pra valer também — com chuva, com sol, com granizo, com apocalipse zumbi. Tanto faz. O samba não para, e o sambista muito menos. Agora me diz: você teria coragem de encarar ensaio técnico com água no tornozelo? Comenta aí, manda pro grupo da família e espalha essa saga anfíbia do carnaval carioca!
🌧️🥁💃
— Papagaio do Samba
Redator da 98 FM Rio | Provando desde 2009 que carioca não derrete na chuva

Deixe um comentário