Crise após o Jogo do Flamengo: Vice-campeonato e o Anúncio de Fim de Ciclo de Cebolinha
Apesar de o time carioca ter vencido no tempo normal por 2 a 1 com gols de pênalti, o clube argentino garantiu o título inédito ao marcar duas vezes no final da prorrogação.
O Peso do Maracanã
O Maracanã estava trajado para uma apoteose, com quase 65 mil vozes prontas para chancelar a hegemonia rubro-negra sob o céu carregado do Rio de Janeiro. No entanto, o que se testemunhou foi um roteiro de frustração que culminou na inédita conquista do Lanús, selando um fevereiro sombrio para o atual campeão da Libertadores e do Brasileirão. Em apenas um mês, o Flamengo viu dois troféus de peso — a Supercopa e a Recopa — escaparem, transformando a expectativa de um ano solar em um inverno precoce e rigoroso na Gávea.
A Aposta Tática de Filipe Luís (O “Ataque Sem Referência”)
Filipe Luís reeditou a controversa escolha do jogo de ida ao abrir mão de um centroavante de ofício, mantendo Pedro e Bruno Henrique como opções no banco. A intenção era conferir mobilidade e sufocar a saída argentina, mas a execução revelou uma perigosa esterilidade. Sem o “faro de gol” na área, o volume de jogo do Flamengo traduziu-se em uma posse inócua, agravada pela “barragem” de Lucas Paquetá no início da partida.
Tecnicamente, a equipe perdeu a bússola ao tentar compensar a falta de profundidade com lançamentos infrutíferos, muitos deles partindo de um meio-campo que não encontrava linhas de passe claras contra um Lanús bem postado. A inovação tática, quando desprovida de eficácia nas finalizações de qualidade, flerta perigosamente com a arrogância estratégica em finais de jogo único, onde a margem para o erro é inexistente.
O Colapso Defensivo: Quando a Técnica Escorrega
O gol que inaugurou o placar aos 28 minutos foi a síntese do nervosismo que permeou a defesa rubro-negra. Uma falha de comunicação primária entre Ayrton Lucas e Rossi resultou em um recuo curto demais; o goleiro, ao tentar a recuperação, escorregou no gramado encharcado, permitindo que Castillo aplicasse um “drible da vaca” e marcasse com o gol vazio. O erro individual não apenas puniu o placar, mas detonou um gatilho emocional nas arquibancadas, transformando Rossi e Ayrton Lucas nos principais vilões da noite sob fortes vaias.
A instabilidade foi admitida abertamente pelo zagueiro Léo Pereira, que sublinhou a pressão que ferve no vestiário:
“A gente está devendo para nós mesmos. A gente está devendo resultado para a torcida, para a gente, para o clube, que vive de vitórias. Antes mesmo da cobrança da torcida, existe cobrança interna entre nós. Nesta semana, a gente conversou bastante, teve conversa até com o presidente em prol da melhora de todo o elenco.”
O Fator Maracanazo e a Resiliência Argentina
O Lanús soube aplicar o manual do pragmatismo argentino em solo brasileiro, suportando a pressão após os gols de pênalti de Arrascaeta e Jorginho que deram a virada parcial ao Flamengo no tempo normal. Contudo, o golpe de misericórdia veio em uma prorrogação marcada pelo caos tático e físico dos mandantes. Com apenas uma substituição restante e dois zagueiros sem condições físicas ideais, Filipe Luís viu-se obrigado a improvisar Léo Pereira como centroavante, enquanto Pulgar recuava para a zaga.
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A desorganização cobrou o preço: aos 117 minutos, Canale subiu sozinho em cobrança de escanteio para empatar a partida. Já nos acréscimos, aos 120, Walter Bou (e posteriormente o contra-ataque final de Aquino) fechou a conta em 3 a 2 para o Lanús, selando o 4 a 2 no placar agregado. O título inédito dos “Granates” foi erguido sobre as ruínas de um Flamengo que esgotou seu fôlego e suas ideias simultaneamente.
A Crise de Resultados vs. O Desempenho de Jogo
O hiato entre o discurso de Filipe Luís — que classificou a atuação como um “grande jogo” — e a realidade das quatro linhas é o que mais alarma. A torcida e a crítica enxergam uma “pobreza de ideias” crônica, onde o controle estatístico da posse de bola não esconde a incapacidade de criar perigo real. O clima político ferve sob a gestão do presidente Bap, que já agendou novas reuniões com a comissão técnica para cobrar uma correção de rumo imediata.
O Estadual, antes um laboratório, agora é a única boia de salvamento para evitar o naufrágio total do semestre.
Próximos Desafios do Flamengo:
- Semifinal do Carioca (Volta): Contra o Madureira. O clube possui a segurança de poder perder por até dois gols de diferença após a vitória por 3 a 0 na ida.
- Gestão de Crise: Reuniões imediatas entre diretoria (Bap) e comissão técnica para reavaliar o trabalho.
- Ajuste Físico: Necessidade urgente de recuperar atletas que terminaram a final sem condições de jogo.
O Fim de Ciclo Antecipado de Cebolinha
Somando-se ao caos esportivo, Everton Cebolinha adicionou uma dose de instabilidade ao anunciar, logo após a derrota, que esta será sua última temporada no clube. Com contrato expirando em dezembro de 2026, o atacante afirmou que não pretende renovar, projetando o fim de seu ciclo para o encerramento deste ano. Declarações de despedida em meio a uma crise de resultados tendem a sinalizar um vestiário com foco disperso, onde peças fundamentais já não parecem integradas ao projeto de longo prazo da instituição.
O Que Resta de 2026?
O Flamengo encerra fevereiro com o orgulho estraçalhado e dois vice-campeonatos que pesam como chumbo. A “pobreza de ideias” e o desgaste físico em momentos cruciais colocam em xeque a longevidade do modelo proposto por Filipe Luís. O que restou de 2026 é um elenco cobrado, uma diretoria pressionada e a urgência de respostas que o futebol atual não costuma esperar.
Diante da pressão implacável por resultados imediatos no “Real Madrid das Américas”, até onde a convicção tática de um técnico iniciante resistirá ao peso histórico de um Maracanã que já não aceita apenas a posse de bola, mas exige a taça?

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