Lacroix faz e desfaz: United vira sobre o Palace, chega a 51 pontos e cola no Top 3 da Premier League
United vira sobre o Crystal Palace com gols de Bruno e Sesko após expulsão de Lacroix e sobe ao 3º lugar da Premier League com 51 pontos.
Premier League 2025/26 — 28ª rodada | Old Trafford, Manchester | 1º de março de 2026 Manchester United 2 × 1 Crystal Palace Gols: Lacroix (4′) | Bruno Fernandes (57′, pên.) | Sesko (65′) Árbitro: Chris Kavanagh | VAR: Tony Harrington
Um personagem, dois destinos: é assim que se resume essa tarde em Old Trafford
O Crystal Palace chegou ao Old Trafford com um plano. Saiu de lá com uma derrota. E o homem responsável pelos dois extremos do resultado tem o mesmo nome: Maxence Lacroix.
O zagueiro francês abriu o placar aos 4 minutos. O mesmo Lacroix foi expulso aos 56, após derrubar Matheus Cunha em posição de último homem. Em menos de 60 minutos de jogo, ele foi herói, vilão e o pivô da virada que levou o Manchester United ao terceiro lugar da Premier League — com 51 pontos e moral renovada na briga por uma vaga na próxima Champions League.
Como saiu o primeiro gol: um escanteio, uma cabeçada e silêncio em Old Trafford
Brennan Johnson bateu o escanteio com qualidade. Lacroix ganhou no alto com absoluta facilidade. A bola entrou no canto do gol de Senne Lammens antes que a maioria da torcida percebesse o que havia acontecido.
0 a 1 aos 4 minutos. O Palace havia feito exatamente o que precisava: calar Old Trafford cedo, organizar o bloco defensivo e explorar os espaços em transição. E funcionou por cinquenta minutos inteiros. Ismaïla Sarr ameaçou ampliar. O United de Carrick não encontrava os espaços — Bruno Fernandes girava sem profundidade, Sesko recebia pouca bola, Casemiro e Mainoo não conseguiam dar ritmo à saída. O Palace, com um 4-3-3 disciplinado de Glasner, estava controlando o jogo.
O momento-chave: a jogada que quebrou o Palace ao meio
Tudo mudou numa fração de segundo.
Matheus Cunha avançou pelo lado esquerdo, Lacroix saiu para bloquear e derrubou o brasileiro em área. Pênalti. Cartão vermelho direto. Expulsão. O árbitro Chris Kavanagh não hesitou, o VAR confirmou — e Oliver Glasner viu seu plano desmoronar em um único lance.
Era impossível manter a estrutura defensiva com dez homens durante mais de trinta minutos contra um United embalado pela torcida e com a superioridade numérica. Glasner reorganizou como pôde, mas o inevitável chegou.
A virada: Bruno no pênalti, Sesko no segundo poste
Bruno Fernandes foi à cobrança sem negociar com a pressão. Bateu no canto, Henderson foi ao lado errado: 1 a 1 aos 57 minutos.
O United aproveitou o espaço que o Crystal Palace passou a deixar para empurrar o bloqueio visitante. Aos 65 minutos, Bruno cruzou na medida certa para o segundo poste, e Sesko cabeceou com a precisão de quem tem o gol como instinto. 2 a 1. O esloveno marcou pela sétima vez em 2026 — todos os gols em jogo aberto, nenhum de pênalti. É o atacante que o United precisava encontrar, e Carrick foi quem o encontrou.
O placar não mudou mais. O Palace tentou, não chegou a assustar com seriedade. O apito final confirmou a segunda vitória consecutiva dos Red Devils e uma noite que começa a ter cheiro de Champions League.
Análise tática: o que o jogo revelou além do placar
Seria desonesto concluir que o United foi melhor. Não foi — não por 50 minutos, pelo menos. O Crystal Palace de Glasner jogou com organização e inteligência coletiva. O 4-3-3 visitante fechou bem as linhas de passe centrais, forçou o United a circular pela lateral e bloqueou as conexões entre Bruno Fernandes e Sesko.
Quando Lacroix foi expulso, o jogo mudou de natureza — e o United fez o que qualquer equipe com superioridade numérica e público a favor deveria fazer: pressionou alto, aumentou o volume e decidiu com seus melhores jogadores.
Carrick ainda não resolveu a questão da profundidade do elenco. Com De Ligt e Dorgu no departamento médico, os laterais Shaw e Dalot precisam sustentar volume ofensivo e defensivo ao mesmo tempo — e isso cobra um preço físico que vai aparecer na sequência de jogos. O técnico sabe disso. A tabela, por enquanto, está cooperando.
Impacto na tabela: United sobe, Liverpool e Villa ficam para trás nesta rodada
Com a vitória, o Manchester United chegou a 51 pontos e subiu para a 3ª posição, empatado em pontos com o Aston Villa mas com melhor saldo. A distância para o Arsenal, líder, é de 10 pontos. O Liverpool, que antes dividiu a mesma pontuação com os Red Devils, ficou para trás na rodada.
O retorno à Champions League, que parecia improvável há dois meses, agora é um objetivo concreto. Carrick transformou um time à deriva numa equipe com identidade e, mais importante, com pontos.
O Crystal Palace permanece em 13º lugar com 35 pontos — posição tranquila em relação à zona de rebaixamento, mas sem nenhum horizonte de ambição para a reta final da temporada.
Próximo compromisso: o teste que vai dizer se o United é de verdade
A agenda do Manchester United não dá trégua. A equipe retorna às competições na semana seguinte com a Conference League — onde já está classificada para as oitavas — antes de encarar adversários diretos na Premier League que definirão se essa arrancada tem sustento ou se foi apenas um ciclo favorável de calendário.
Para o Crystal Palace, o horizonte imediato é igualmente exigente: Spurs e Manchester City aguardam nas próximas rodadas. Glasner precisará rearmar um elenco que perdeu seu zagueiro titular por suspensão — e que vai precisar de muito mais do que organização tática para superar esses adversários.

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