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Flamengo 2019-2025: como nasceu a geração mais vitoriosa da história do clube

Dezesseis títulos, dominância continental e a superação numérica da Era Zico. Entenda como o Rubro-Negro construiu o ciclo mais vencedor de sua história moderna entre 2019 e 2025, transformando crises em taças e consolidando uma mentalidade campeã.


Seis anos, dezessete títulos e uma pergunta que incomoda os rivais: existe algo parecido no futebol sul-americano? Entenda como o Rubro-Negro construiu o ciclo mais dominante desde a Era Zico.

Um domingo de novembro que mudou tudo

Tem um detalhe que sempre escapa quando se conta essa história: antes de vencer, o Flamengo perdia. Perdia de forma feia, recorrente, quase resignada. Em 2018 o clube via o Cruzeiro levantar a Copa do Brasil debaixo do seu próprio nariz, no Maracanã lotado, e a sensação era de que aquele elenco talentoso jamais sairia do lugar-comum de “time bonito que não ganha nada grande”.

Aí veio 2019. E tudo virou de cabeça para baixo.

FLAMENGO CAMPEAO
FLAMENGO CAMPEAO

Não foi por acaso, claro — nenhuma revolução esportiva nasce do nada. Mas se você pedir para um torcedor apontar o instante exato em que o Flamengo trocou de patamar, quase certamente vai ouvir a mesma resposta: os dois minutos finais contra o River Plate, em Lima, na final da Libertadores 2019. Gabigol, sozinho contra o relógio, decidiu em menos de cento e vinte segundos o que seis anos de jejum continental não haviam resolvido. O Flamengo colocava fim a um vazio de trinta e oito anos sem a taça máxima da América do Sul.

Aquele gol (na verdade, foram dois gols, mas convenhamos que o segundo já era quase redundante) não apenas deu um título. Ele destravou uma mentalidade. E mentalidade, no futebol, costuma valer mais do que qualquer reforço milionário.

A arquitetura de um ciclo vencedor

O ano em que tudo começou: 2019

Sob o comando de Jorge Jesus — contratado em meio a certo ceticismo, diga-se — o Flamengo não apenas conquistou a Libertadores. Fez o dobrado: também levantou o Campeonato Brasileiro daquele ano, com uma campanha de futebol ofensivo que reacendeu comparações com os times históricos do clube. Foi o primeiro título nacional do Mengão desde 2009, um hiato de dez anos que parecia, à época, geológico.

O que Jorge Jesus trouxe não foi apenas tática. Foi convicção. Aquele elenco — Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta, Gerson, Rafinha, Everton Ribeiro — já existia antes dele. O que mudou foi a crença coletiva de que jogar bonito e vencer não eram objetivos excludentes.

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flamengo

Consolidação em meio à turbulência: 2020

O ano seguinte trouxe pandemia, calendário caótico e uma Libertadores perdida na fase final para o Palmeiras — ferida que ainda dói em muita gente até hoje. Mas mesmo em meio ao caos, o clube ergueu o Campeonato Brasileiro pela segunda vez consecutiva e conquistou a Recopa Sul-Americana diante do Independiente del Valle, do Equador. Prova de que a estrutura montada não dependia de um único treinador ou de um único ano mágico.

A reafirmação continental: 2022

Depois de uma temporada 2021 sem taças de peso — e aqui vale reconhecer, sem meias palavras, que houve instabilidade de comissão técnica nesse período —, o Flamengo voltou a se afirmar como potência continental. Sob Dorival Júnior, viria o Mundial de Clubes… perdido, é verdade, para o Al-Hilal na semifinal, um resultado que ainda hoje gera debate acalorado nos bares da Zona Sul. Mas dentro do continente, a resposta foi contundente: nova Libertadores, com vitória sobre o Athletico Paranaense, e a Copa do Brasil conquistada nos pênaltis contra o Corinthians, numa final de 6 a 5 que ficou marcada pela atuação de Arrascaeta, eleito o melhor jogador da competição.

A reconstrução sob Filipe Luís: 2024 e 2025

filipe luís saiu do flamengo
filipe luís saiu do flamengo

Aqui está, talvez, o capítulo mais interessante de toda essa jornada — e o que menos recebeu a atenção merecida fora do Rio de Janeiro.

Em 2024, após a saída conturbada de Tite, o clube entregou o comando a Filipe Luís, ex-lateral, sem experiência prévia como treinador principal. A decisão soou arriscada. Muita gente torceu o nariz. Só que o ex-jogador, formado na base do próprio clube e revelado internacionalmente pelo futebol espanhol, surpreendeu: conduziu o time à conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil, batendo o Atlético Mineiro por 4 a 1 no placar agregado.

E 2025 foi ainda mais extraordinário. Sob Filipe Luís, o Flamengo faturou quatro títulos relevantes no mesmo ano: o Campeonato Carioca, a Supercopa do Brasil, a Copa Libertadores — vencida sobre o Palmeiras, em Lima, garantindo o inédito tetracampeonato continental para um clube brasileiro — e, para fechar com chave de ouro, o Campeonato Brasileiro, erguido após vitória sobre o Ceará no Maracanã, com apenas quatro dias de intervalo entre as duas conquistas. Foram setenta e cinco jogos disputados naquele ano, quarenta e oito vitórias, cento e quarenta e dois gols marcados. Números de time que joga em outro campeonato mental.

Por que essa geração é diferente

1982 World Cup Finals. Second Phase. Barcelona, Spain. 2nd July, 1982. Brazil 3 v Argentina 1. Brazil’s Zico (10) celebrates scoring his side’s first goal past Argentina’s goalkeeper Ubaldo Fillol

A comparação inevitável com a Era Zico

Quem acompanha o clube há décadas sabe que existe uma régua sagrada: a Era Zico, do início dos anos 1980, quando o Flamengo de Zico, Júnior e Leandro conquistou dez títulos em pouco tempo e se tornou campeão mundial ao vencer o Liverpool em Tóquio. Por muitos anos, essa foi a referência máxima de excelência rubro-negra.

Pois bem: contabilizando tudo desde 2019, a chamada “Geração 2019” já soma dezessete títulos oficiais — superando numericamente aquele ciclo lendário. É uma estatística que precisa ser lida com cuidado, é claro. Números brutos não substituem contexto histórico, nem apagam o simbolismo de conquistas obtidas num futebol menos globalizado e competitivo. Ainda assim, o dado é revelador de uma coisa: sustentabilidade. Não foi um ano de sorte, nem dois. Foram seis temporadas de presença constante nas finais que importam.

Continuidade apesar da descontinuidade

Aqui mora o verdadeiro segredo, talvez. Passaram pelo comando técnico do Flamengo, nesse período, nomes como Jorge Jesus, Domènec Torrent, Rogério Ceni, Paulo Sousa, Vítor Pereira, Tite e Filipe Luís — uma rotatividade que, em qualquer outro clube, provavelmente teria destruído qualquer projeto de longo prazo. E, no entanto, o Flamengo continuou ganhando.

Isso não acontece por acidente. Acontece porque o núcleo duro do elenco — Arrascaeta, Gerson (que voltou ao clube depois de passagem pela Europa), Pedro, Bruno Henrique, De la Cruz mais recentemente — manteve um padrão de qualidade que transcendeu qualquer treinador específico. Some a isso uma direção de futebol capaz de fazer contratações certeiras ano após ano, e você tem a receita: não um técnico messiânico, mas um sistema.

O que fica quando a poeira baixa

Confesso que, ao reler essa sequência de títulos, é fácil cair na tentação de narrar tudo como uma linha reta e inevitável rumo à glória. Não foi. Houve a eliminação para o Athletico-MG nas oitavas da Copa do Brasil de 2025, por exemplo — um “nó” específico que a torcida ainda trata com certo desconforto, mesmo em meio a uma temporada historicamente vitoriosa. Houve o vice-campeonato mundial de clubes em 2022. Houve anos, como 2021, em que a sensação predominante foi de time bom que não decolou.

O que separa essa geração das anteriores não é a ausência de tropeços. É a capacidade de se reerguer rápido — de transformar frustração em temporada seguinte vencedora, quase como um mecanismo automático de correção. Chama isso de cultura vencedora, se quiser um termo mais elegante. Ou chama de teimosia carioca mesmo, que também serve.

Fica também uma pergunta em aberto, que nenhum número de títulos resolve sozinho: será possível manter esse nível quando o núcleo atual — já em idade avançada em termos futebolísticos, casos de Arrascaeta e Bruno Henrique — precisar ser renovado? A resposta para isso o Flamengo só vai dar daqui a alguns anos. Por enquanto, resta acompanhar — e, para quem é rubro-negro, aproveitar.

Afinal, quantas gerações têm o privilégio de assistir à história sendo reescrita em tempo real?

Quantos títulos o Flamengo conquistou entre 2019 e 2025?

Entre 2019 e 2025, o Flamengo conquistou 17 títulos oficiais, incluindo Campeonatos Brasileiros, Copas Libertadores, Copas do Brasil, Supercopas do Brasil, Recopa Sul-Americana e Campeonatos Cariocas. Esse desempenho consolidou o período como o mais vitorioso da história do clube em número de conquistas.


Quem foi o técnico que iniciou a era vencedora do Flamengo?

O treinador que deu início ao ciclo de maior sucesso foi Jorge Jesus. Em 2019, ele conduziu o Flamengo aos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, implantando um modelo de jogo ofensivo que marcou época.


Por que a geração de 2019 é considerada a mais vitoriosa do Flamengo?

Porque manteve um alto nível de desempenho por seis temporadas consecutivas, conquistando títulos nacionais e internacionais com diferentes treinadores e preservando uma base competitiva de jogadores. Além da quantidade de troféus, destacou-se pela regularidade em finais e decisões.


Quais jogadores marcaram a geração vencedora do Flamengo?

Entre os principais nomes estão Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Pedro, De la Cruz, Rafinha e Filipe Luís como jogador antes de assumir o comando técnico. Cada um teve papel importante em diferentes momentos do ciclo vitorioso.


A geração de 2019 superou a Era Zico?

Em número de títulos, sim. A geração iniciada em 2019 ultrapassou o total de conquistas da histórica Era Zico. No entanto, muitos torcedores e especialistas consideram que as duas equipes pertencem a contextos diferentes, tornando qualquer comparação subjetiva.


Quais foram os títulos mais importantes do Flamengo entre 2019 e 2025?

Os principais títulos do período foram:

  • Libertadores da América (2019, 2022 e 2025)
  • Campeonato Brasileiro (2019, 2020 e 2025)
  • Copa do Brasil (2022, 2024 e outras conquistas do ciclo)
  • Recopa Sul-Americana
  • Supercopa do Brasil
  • Campeonatos Cariocas

Quem treinou o Flamengo durante esse ciclo vencedor?

Ao longo do período, passaram pelo comando técnico nomes como Jorge Jesus, Domènec Torrent, Rogério Ceni, Paulo Sousa, Vítor Pereira, Tite e Filipe Luís.


Qual foi o principal diferencial da geração vencedora do Flamengo?

O grande diferencial foi a combinação de planejamento financeiro, manutenção de um elenco qualificado, capacidade de renovação e competitividade constante. Mesmo com mudanças de treinadores, o clube manteve um padrão de desempenho elevado, permanecendo entre os protagonistas do futebol brasileiro e sul-americano por vários anos consecutivos.

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