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Vitória 1 x 2 Flamengo: Sorte ou Sobrevivência? As lições do time de Filipe Luís no Barradão

O Flamengo vence o Vitória no Barradão com brilho de Rossi e Cebolinha, mas atuação de Lucas Paquetá e falta de controle tático ligam o alerta para a Recopa. Confira a análise.”

O Ganhar sem Convencer

O torcedor rubro-negro que encerrou 2025 sob a hegemonia de um elenco dominante certamente não projetava um início de 2026 tão acidentado. Após uma derrota para o São Paulo e um empate amargo contra o Internacional, o Flamengo desembarcou em Salvador carregando o peso de uma crise estética e de resultados. No Barradão, o que se testemunhou foi o triunfo do pragmatismo sobre o desempenho: um paradoxo tático onde um futebol tecnicamente pobre foi salvo por uma eficiência estatística letal. O placar de 2 a 1 sobre o Vitória garante o alívio dos primeiros três pontos, mas deixa um rastro de interrogações sobre a sustentabilidade desse modelo.

2. A Eficiência Absurda (e Preocupante) do Ataque

O dado que define a noite beira o surrealismo estatístico: o Flamengo marcou dois gols em apenas duas finalizações certas em 100 minutos de partida. Essa letalidade, embora salvadora, é uma faca de dois gumes que expõe a gritante falta de criatividade e a ausência de profundidade no terço final.

O primeiro gol nasceu de um “míssil” raro de Erick Pulgar, que acertou um chute no ângulo — apenas seu quarto gol pelo clube desde 2022, sublinhando o caráter fortuito do lance em meio ao deserto coletivo. O segundo gol sintetizou o paradoxo individual da equipe: nasceu de um lançamento longo de Léo Ortiz, que, apesar de uma noite defensiva desastrosa, ofereceu a verticalidade que o meio-campo não produzia. Everton Cebolinha demonstrou frieza para concluir, mas esses lampejos não escondem que, coletivamente, o time foi incapaz de construir jogadas sustentadas.

3. O Abismo Físico no Barradão

Se no papel a disparidade técnica é vasta, na prática do gramado o Vitória impôs um domínio físico constrangedor. O Flamengo simplesmente não conseguiu passar do meio de campo durante a maior parte do primeiro tempo, sufocado por um adversário mais intenso. Esse abismo atlético não é um fato isolado; é um problema crônico onde o time “sofre dia após dia”.

A fragilidade do sistema defensivo composto por Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro ficou exposta pela incapacidade do ataque em pressionar a saída de bola adversária. Sem o primeiro combate na frente, a linha de quatro viu-se vulnerável a transições rápidas e ao escarcéu promovido por Renato Kayzer. A insegurança e a falta de ritmo dos defensores transformaram cada investida baiana em um alerta de perigo real, evidenciando um setor que segue totalmente fora de sintonia.

4. O Enigma Lucas Paquetá: 100 Jogos e Zero Encaixe

A marca histórica de 100 jogos de Lucas Paquetá pelo Flamengo teve um tom melancólico. Isolado e pouco participativo, o camisa 20 foi o retrato de um craque fora de órbita, sendo substituído precocemente aos 10 minutos da etapa final por Carrascal. Para agravar o cenário, Paquetá errou na origem do gol do Vitória, repetindo um erro crucial que já havia cometido na partida contra o Internacional.

Filipe Luís tentou justificar o posicionamento do jogador, buscando uma simetria com o que ele entregava no futebol inglês, mas a teoria não encontrou respaldo na prática:

“Ele não joga de ponta, ele joga de meia. Ele marca de ponta, mas joga de meia, como se fosse na mesma função que ele jogava no West Ham… precisávamos de meia. E ele foi o escolhido.”

5. Os Pontos de Luz: O Ressurgimento de Rossi e a Assistência de Cebolinha

Em meio ao caos tático, individualidades operaram como escudos temporários. Rossi foi o herói indiscutível ao defender o pênalti de Renato Kayzer, confirmando sua frieza e o dado estatístico de que acerta o lado da cobrança em 65% das vezes. Outra nota positiva veio de Emerson Royal, que após sofrer duras críticas, entregou solidez defensiva e apoio consistente, sendo um dos poucos a manter o equilíbrio.

Everton Cebolinha, com uma assistência e um gol, justificou a titularidade e mostrou ser o único elemento capaz de desequilibrar um ataque onde Arrascaeta figurou como uma sombra, totalmente sumido e sem influência no jogo. O talento desses nomes está, por ora, mascarando a ausência de um controle coletivo.

6. A Sinceridade de Filipe Luís e o Alerta Vermelho

A entrevista coletiva pós-jogo foi um exercício de autocrítica necessário. Filipe Luís não se escondeu atrás do resultado e admitiu a incapacidade da equipe de ditar o ritmo do confronto com a posse de bola.

“Não estamos conseguindo controlar o jogo.”

Embora o treinador tenha mencionado o gramado irregular do Barradão, a “bola queimar nos pés” dos jogadores é um sintoma recorrente que já havia sido detectado contra Internacional e Fluminense. O problema não é geográfico; é sistêmico. A falta de confiança e os erros técnicos em profusão impedem que a base campeã de 2025 execute o futebol de alta performance que se espera dela.

7. O Peso da Próxima Resposta

A vitória em Salvador estanca o sangramento na tabela e traz um respiro em meio à pressão, mas o diagnóstico permanece crítico. O Flamengo de 2026 é um time que sobrevive de espasmos de talento, mas que desmorona fisicamente sob pressão e carece de repertório coletivo para dominar seus adversários.

Com a decisão da Recopa Sul-Americana contra o Lanús no horizonte imediato, o tempo para ajustes é um luxo que o clube não possui. O descanso entre o clássico contra o Botafogo e o torneio continental será vital, mas a resposta precisa ser dada no campo tático. Até quando o talento individual e a sorte de campeão serão suficientes para esconder a falta de controle tático do Flamengo? O limite dessa estratégia parece estar chegando ao fim.

VITÓRIA 1 X 2 FLAMENGO | MELHORES MOMENTOS | 3ª RODADA BRASILEIRÃO 2026 | sportv

Desempenho Individual

A vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, no Barradão, representou os primeiros três pontos do Flamengo no Brasileirão 2026, encerrando a sequência irregular após a derrota para o São Paulo e o empate com o Internacional.

O jogo mostrou um Flamengo pouco dominante, mas extremamente eficiente.
Foram apenas duas finalizações certas em mais de 90 minutos — e dois gols. Ou seja: aproveitamento máximo em um cenário de baixa produção coletiva, dificuldade na troca de passes e um gramado pesado que travou a circulação da bola.

Na prática, o time venceu mais pela capacidade individual de decidir do que por controle tático. O resultado funciona como um ganho de confiança antes da Recopa Sul-Americana, mas o desequilíbrio entre o volume sofrido e o pouco que produziu acende um alerta claro para a comissão técnica.


Agustín Rossi — Segurança nos Momentos Decisivos

Rossi foi o principal responsável por sustentar o resultado.
Mesmo com dificuldades na saída de bola diante da pressão do Vitória, o goleiro respondeu exatamente quando o time mais precisou.

A defesa do pênalti cobrado por Renato Kayzer, aos 16 minutos do segundo tempo, foi o lance-chave da partida. Naquele momento, o Vitória era fisicamente superior e crescia no jogo. A intervenção de Rossi esfriou a reação dos mandantes e manteve o Flamengo em vantagem.

Ele reafirma seu perfil: um goleiro extremamente confiável em situações de alto risco, capaz de salvar o time mesmo quando o sistema defensivo não funciona bem.


Everton Cebolinha — Eficiência Máxima no Caos do Jogo

Em uma noite de pouca criatividade coletiva, Cebolinha foi o jogador mais adaptado ao tipo de partida que se desenhou: transições rápidas e poucas oportunidades.

  • Assistência para Pulgar: leitura rápida do espaço e passe preciso para a finalização de média distância.
  • Gol da vitória: dominou lançamento longo de Léo Ortiz, ganhou no corpo do marcador e finalizou com precisão.

Foi uma atuação de oportunismo e objetividade. Quando o Flamengo não conseguia construir, ele resolveu com ações diretas. Dentro da ideia de Filipe Luís, virou peça essencial para acelerar o jogo e transformar escassez ofensiva em resultado.


Emerson Royal — Disciplina Tática e Reação às Críticas

Emerson Royal fez sua melhor atuação recente.
Mais contido e organizado, ajudou a dar equilíbrio ao lado direito em um time que ainda busca ajuste defensivo.

No 4-3-3, teve função híbrida:

  • abria o campo como ala para dar profundidade;
  • recompunha rápido para evitar superioridade do Vitória pelos lados.

Sem brilho ofensivo, mas importante para dar sustentação a um time que sofreu fisicamente.


Paquetá e Pulgar — Números que Chamam Atenção

Lucas Paquetá

  • Completou 100 jogos pelo Flamengo, mas teve atuação discreta.
  • Encontrou dificuldades para participar do jogo e voltou a cometer erro na saída de bola que originou o gol adversário — repetindo problema já visto contra o Internacional.

Erick Pulgar

  • Abriu o placar com chute de média distância.
  • O gol chama atenção pelo histórico: é apenas o quarto dele pelo clube desde 2022, mostrando um aproveitamento raro nas subidas ao ataque.

Leitura Final

O Flamengo venceu sem controlar, resistiu mais do que impôs.
A eficiência salvou uma atuação irregular — algo que resolve um jogo, mas não sustenta uma temporada se não houver ajuste rápido.


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