Quando o Pagode Encontra o Forró: 5 Lições do Encontro Explosivo entre Menos é Mais e Nattan em Salvador
O grupo Menos é Mais e o cantor Nattan lançaram a música “Pela Última Vez”, gravada ao vivo em Salvador para o projeto Molho. A parceria une pagode e forró, explorando temas de desamor com leveza. O sucesso rendeu indicações e vitórias no Prêmio Multishow 2025.
Quando o pagode encontra o forró no coração de Salvador
A aparente calmaria do bairro do Comércio, em Salvador, foi rompida por um fenômeno musical e comportamental. Em frente ao Mercado Modelo e ao Elevador Lacerda, cartões-postais da capital baiana, o grupo Menos é Mais transformou uma tarde comum em um espetáculo urbano ao ar livre com o projeto “Molho”, recebendo Nattan como convidado especial.
A gravação de rua não foi apenas uma ação promocional. Ela se consolidou como um evento de engajamento orgânico, provando que, mesmo na era do streaming, o ao vivo continua sendo o maior validador de hits no Brasil. O contraste entre o cenário histórico e a pulsação do pagode criou uma estética perfeita para consumo digital — espontânea, calorosa e real.
Lição 1: autenticidade se captura na rua, não se fabrica
Escolher Salvador como palco não foi acaso. Para o vocalista Duzão, a cidade carrega um “swing que já vem de fábrica”. Gravar ali é buscar uma legitimação simbólica que nenhum estúdio oferece.
O formato aberto — com mesa de bar, acarajé e público circulando livremente — dissolveu a barreira entre artista e plateia. Como define Gustavo Goes, é o momento em que a rua deixa de ser cenário e passa a ditar o ritmo.
“Gravamos em Salvador, no calor, na praça, no meio do povo… ficou massa demais. Espero que a galera sinta toda a vibe dessa parceria”, celebrou Nattan.
Essa captura do imprevisível é o que transforma performance em experiência.
Lição 2: o cross-over de gêneros acelera os algoritmos
A faixa “Pela Última Vez” funciona como uma aula de fusão cultural. O pagode brasiliense do Menos é Mais encontra o forró moderno de Nattan em um cruzamento que reflete uma tendência clara: a nova geração não consome gêneros, consome sensações.

O sucesso segue a trilha de “P do Pecado”, parceria com Simone Mendes, vencedora como Samba/Pagode do Ano no Prêmio Multishow 2025. O projeto “Molho” já ultrapassa 260 milhões de streams, consolidando o grupo como presença constante nos charts da Billboard Brasil.
Os medleys estratégicos, como “Queria Ser Tu / Interfone” e o bloco nostálgico “Carta Branca / Amantes / Pensando em Você”, acionam memória afetiva e favorecem retenção nas plataformas — combinação perfeita para algoritmos.
Lição 3: o lirismo digital transforma o “block” em narrativa
A letra de “Pela Última Vez” traduz o vocabulário emocional da era digital. Termos como “áudios visualizados” e o bloqueio final não são detalhes — são o próprio enredo.
O refrão sintetiza o paradoxo dos relacionamentos contemporâneos:
“Pela última vez, vem dar beijão de língua na minha boca
Vem me encontrar de pouca roupa
Faz aquele amor de outro planeta
Depois cê me bloqueia pela última vez.”
Aqui, o término não é trágico — é funcional. A música transforma o “block” em desfecho narrativo, refletindo a lógica volátil das conexões no Instagram e no TikTok, onde tudo é intenso, rápido e compartilhável.
Lição 4: quando o engajamento vira ação social
Para o Menos é Mais, sucesso sem impacto social é incompleto. A gravação em Salvador também serviu como plataforma para uma ação solidária em apoio ao Serviço Inaciano de Espiritualidade (SIES), que atende idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O público participou ativamente por meio da doação de cobertores, transformando visibilidade em ação concreta.
“Sempre gostamos de devolver para as pessoas todo o carinho e apoio que nos dão ao longo dos anos”, afirmou Paulinho.
É o momento em que o entretenimento de massa assume responsabilidade ética — e ganha ainda mais legitimidade.
Lição 5: o sucesso orgânico escala para modelos de negócio híbridos
O que começou como um single com mais de 110 milhões de plays no Spotify evoluiu para a label “Na Farra”, um modelo híbrido de turnê e festival que une as bases de fãs de Menos é Mais e Nattan.
A turnê já confirmou datas em seis capitais brasileiras:
- Recife (PE)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Aracaju (SE)
- Teresina (PI)
- Curitiba (PR)
- Goiânia (GO)
O formato rompe protocolos tradicionais: shows individuais seguidos de uma resenha coletiva no palco, sem roteiro rígido. A ausência de formalidade é justamente o diferencial — o público não assiste, participa.
Quando o som silencia, o que permanece
A trajetória do Menos é Mais, que saiu de Brasília para ocupar capas da Billboard Brasil, reflete o amadurecimento do mercado musical nacional. A parceria com Nattan, gravada no coração de Salvador, reafirma que a música brasileira vive uma fase de colaboração fluida e sem fronteiras rígidas.
Em um mundo saturado por conexões virtuais, o calor humano do Mercado Modelo, o batuque ao vivo e a entrega sem filtros surgem como o último refúgio da experiência real.
Porque, no fim, é no meio do povo que a música ainda encontra seu ritmo mais verdadeiro.

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