Vasco e a nova SAF: entenda o que está acontecendo agora
Como o clube chegou até aqui e o que pode mudar agora
O Vasco vive uma semana decisiva para o futuro do futebol do clube. A 777 deixou de se opor à venda, a empresa de Marcos Lamacchia cumpriu a exigência financeira para participar do processo e o leilão de 90% da nova SAF está marcado para esta sexta-feira. Entenda, desde o início, o que é SAF, como o Vasco chegou a esse ponto e o que está em jogo.
O torcedor que acompanha as notícias do Vasco nos últimos dias provavelmente encontrou uma série de termos que podem parecer complicados: SAF, 777 Partners, nova SAF, Lamacchia, leilão, recuperação judicial, empréstimo DIP e venda de 90% das ações.

Mas o que tudo isso significa?
A explicação começa alguns anos atrás, quando o Vasco decidiu transformar seu departamento de futebol em uma empresa e vender parte do controle para um investidor. O negócio mudou de rumo, a relação com o primeiro grupo controlador terminou em uma disputa judicial e, agora, o clube está diante de um novo processo para definir quem ficará com o controle da nova estrutura do futebol.
E esta semana trouxe acontecimentos importantes.
Antes de tudo: o que é uma SAF?
SAF significa Sociedade Anônima do Futebol.
É um modelo de empresa criado pela Lei 14.193/2021, que permite aos clubes organizarem sua atividade de futebol em uma sociedade empresarial, separando essa estrutura da associação tradicional do clube.
Na prática, isso permite que o futebol tenha uma estrutura empresarial, com acionistas, investimentos, regras de governança e mecanismos próprios de financiamento.
É importante entender uma coisa: SAF não significa que o clube inteiro deixa de existir.
No caso do Vasco, o Club de Regatas Vasco da Gama continua existindo como associação. O que está em discussão é quem controla a empresa responsável pelo futebol.
É justamente essa diferença que ajuda a entender toda a história.

Como o Vasco entrou nesse modelo?
Em 2022, o Vasco aprovou a criação da SAF e vendeu 70% das ações para a 777 Partners.
O acordo previa investimentos de R$ 700 milhões, enquanto a associação Vasco da Gama permaneceu com 30% da empresa.
Naquele momento, a ideia era colocar dinheiro novo no futebol e criar uma estrutura empresarial para administrar a atividade esportiva.
A 777 passou, então, a controlar o futebol do Vasco.
Só que a relação entre as partes não terminou como inicialmente planejado.
O que aconteceu com a 777 Partners?
Com o passar do tempo, a relação entre o Vasco e a 777 se deteriorou.
O conflito chegou à Justiça e acabou fazendo parte de uma disputa muito maior sobre o controle e o futuro da SAF.
Enquanto isso, o Vasco entrou em um processo de recuperação judicial, dentro de uma tentativa de reorganizar suas obrigações financeiras.
Esse contexto é fundamental para entender por que a solução que está sendo discutida agora não é simplesmente uma venda convencional de ações da antiga SAF.
O caminho encontrado envolve a criação de uma nova SAF, para a qual serão transferidos os ativos ligados ao futebol, e posteriormente a venda de 90% dessa nova estrutura por meio de um processo competitivo autorizado pela Justiça.
E onde entra Marcos Lamacchia?
É aqui que começa a história que está dominando as notícias atualmente.
O empresário Marcos Faria Lamacchia, por meio da Almirante Participações, apresentou uma proposta para assumir 90% da nova SAF do Vasco.
A proposta prevê, entre outros compromissos, R$ 500 milhões em aportes destinados ao futebol, além de investimentos e obrigações relacionadas à estrutura do clube e à recuperação judicial. O conjunto da operação foi estimado em cerca de R$ 3 bilhões, considerando os compromissos previstos, e não como um pagamento imediato de R$ 3 bilhões ao Vasco.
Mas existe uma diferença importante:
Lamacchia ainda não é oficialmente o dono da nova SAF.
Sua proposta é a referência inicial do processo competitivo.
É por isso que existe um leilão.
Por que existe um leilão se já existe uma proposta?
Porque a Justiça determinou um processo competitivo.
A ideia é permitir que outros interessados também possam apresentar propostas.
A proposta de Lamacchia funciona como uma espécie de proposta-base. Ele terá determinadas proteções previstas nas regras do processo, inclusive a possibilidade de cobrir uma eventual oferta superior, caso as condições estabelecidas sejam cumpridas.
Portanto, não é correto dizer simplesmente que “Lamacchia já comprou o Vasco”.
O processo ainda precisa ser concluído.
O que aconteceu nesta semana?
É aqui que chegamos ao momento atual.
1. A 777 deixou de se opor à venda
No dia 21 de setembro, Vasco, Vasco SAF e 777 Carioca apresentaram manifestação conjunta informando um acordo.
A 777 desistiu da medida judicial que havia movido contra o Vasco e pediu, junto com as outras partes, a retirada de um recurso que seria analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Na prática, a 777 deixou de fazer oposição judicial ao processo de venda da nova SAF.
O pedido de extinção do processo, entretanto, ainda depende de homologação judicial.
Esse foi um passo importante porque reduz um dos obstáculos jurídicos que envolviam a reorganização do futebol vascaíno.
2. Lamacchia cumpriu uma exigência para participar do processo
Na quarta-feira, 23 de setembro, a Almirante Participações comprovou o depósito judicial de R$ 27 milhões, exigência estabelecida para o processo competitivo.
Com isso, a empresa de Lamacchia aparece como a única concorrente habilitada identificada até o momento para a aquisição dos 90% da nova SAF.
Mas atenção:
os R$ 27 milhões não são o preço da compra da SAF.
É uma exigência financeira do processo competitivo.
Isso é diferente dos valores previstos na proposta de investimento.
3. O leilão está marcado para esta sexta-feira
A Justiça marcou para 25 de setembro, às 14h, a audiência na qual serão apresentadas as propostas fechadas para a aquisição dos 90% da nova SAF.
É esse momento que pode definir o próximo controlador do futebol do Vasco.
Se não surgir uma proposta superior que avance no processo, a proposta de Lamacchia poderá seguir para as próximas etapas.
Mas existe outro problema: o dinheiro para manter o futebol funcionando
Enquanto a venda não é concluída, o Vasco precisa continuar funcionando.
Por isso, a Justiça autorizou um financiamento DIP de até R$ 150 milhões.
O DIP é um tipo de financiamento utilizado em processos de recuperação judicial para fornecer recursos à empresa enquanto ela atravessa o processo de reorganização.
No caso do Vasco, o financiamento foi autorizado com recursos da empresa ligada a Lamacchia e deverá ser utilizado de acordo com as necessidades de liquidez da SAF, com acompanhamento e fiscalização.
Esse ponto também ajuda a explicar por que a situação financeira está diretamente ligada ao processo de venda.
E surgiu uma nova contestação nesta semana
O processo, porém, ainda não está completamente livre de questionamentos.
Um grupo de sete ex-jogadores e um preparador físico, que são credores do Vasco, entrou na Justiça para contestar a decisão que autorizou o financiamento DIP de R$ 150 milhões e tentar suspender o leilão.
Eles alegam problemas na decisão judicial e questionam as condições da operação.
Isso significa que, embora o leilão esteja marcado, a disputa judicial ainda faz parte da história.
Então, afinal, o que está sendo decidido?

De maneira simples, o Vasco está tentando reorganizar a estrutura empresarial responsável pelo futebol.
A sequência é aproximadamente esta:
Vasco associação
↓
criação da SAF
↓
venda de 70% para a 777 em 2022
↓
rompimento e disputa judicial
↓
recuperação judicial
↓
criação da nova SAF
↓
processo para vender 90% da nova SAF
↓
proposta de Marcos Lamacchia
↓
processo competitivo marcado para 25 de setembro
O que está em jogo agora é quem ficará com o controle de 90% da nova SAF que comandará o futebol do Vasco.
O que acontece com os 10% restantes?
A operação prevê a venda de 90% da nova SAF.
Isso significa que a associação do Vasco não desaparece e que a operação não representa simplesmente a venda do Club de Regatas Vasco da Gama como um todo.
A discussão é sobre o controle societário da empresa que administra o futebol.
Essa distinção é essencial para compreender o que está acontecendo.
E o que pode mudar para o torcedor?
Se o processo for concluído, haverá um novo controlador para a estrutura empresarial do futebol.
A proposta de Lamacchia prevê investimentos significativos no futebol e compromissos financeiros relacionados à recuperação judicial, além de recursos para infraestrutura e categorias de base.
Mas é importante não transformar uma proposta em uma realidade já concretizada.
O que está definido é o processo. O resultado ainda depende das etapas previstas pela Justiça.
Por isso, o momento atual deve ser entendido como uma reta decisiva da mudança de controle da SAF, e não como uma operação já definitivamente concluída.
Por que esta sexta-feira é tão importante para o Vasco?
Porque o dia 25 de setembro pode representar um dos momentos mais importantes da história recente do futebol vascaíno.
Depois de quatro anos de SAF, da passagem da 777 Partners, de uma longa disputa judicial, de dificuldades financeiras e de um processo de recuperação judicial, o Vasco está novamente diante da possibilidade de mudar o grupo que controla seu futebol.
A diferença é que, desta vez, o processo ocorre sob regras estabelecidas pela Justiça e com a criação de uma nova estrutura societária.
O torcedor, portanto, não precisa decorar todos os termos jurídicos para entender a situação.
A pergunta central é simples:
quem vai controlar os 90% da nova SAF do Vasco?
Nesta sexta-feira, o processo competitivo poderá começar a responder essa pergunta.
Próximo jogo do Vasco: time enfrenta o Botafogo após a Data Fifa
O próximo jogo do Vasco será contra o Botafogo, no dia 7 de outubro de 2026, pelo Campeonato Brasileiro. O clássico será disputado no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. A partida marcará o retorno do Vasco aos gramados após a Data Fifa e acontecerá justamente em um período decisivo para o clube fora de campo, com a definição do futuro da SAF.
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